Apenas 30% das cidades brasileiras realizaram testes em assintomáticos


Paula Forster, da CNN em São Paulo

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Foto: Reprodução/ IBGE

O número de cidades brasileiras que realizaram testes em pessoas assintomáticas durante a pandemia do novo coronavírus, de março até o mês de agosto, corresponde a menos de 30% dos municípios do território nacional. 

O dado é de uma pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (9), pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que ouviu 4.061 cidades sobre a atuação do poder público na prevenção da Covid-19. O estudo é inédito e o primeiro com maior abrangência de cidades participantes publicado até agora. 

Segundo o levantamento, 1.210 municípios realizaram testes em pessoas assintomáticas, enquanto 3.414 testaram os pacientes sintomáticos.

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De acordo com o consultor da Confederação Nacional de Municípios Eduardo Stranz, o Brasil não adotou a estratégia de testagem em massa que outros países tiveram, por exemplo. “

Os municípios seguiram a tendência da União e dos estados. Houve a preocupação em testar quem chegava aos postos de atendimento com sintomas, mas não foi realizada a testagem dos que estavam assintomáticos”, explica. 

Já em relação à testagem de grupos prioritários, como profissionais de saúde, de segurança e assistência social, 2.808 cidades responderam que aplicaram testes. 

A pesquisa chama atenção para o fato de que 96,5% dos prefeitos tomaram providenciais em relação ao distanciamento e isolamento social logo no começo da pandemia, a maioria deles ainda no mês de março.

Stranz comenta à CNN que o poder público municipal foi rápido em tomar uma atitude, mas houve pressão da comunidade local para que houvesse a flexibilização.

“Como ninguém conhecia muito bem o que estava acontecendo, a grande maioria de municípios tomou a mesma atitude da União e dos estados em estabelecer medidas restritivas. Acontece que muitas cidades não apresentaram registro de casos da doença no começo da pandemia e setores econômicos começaram a pedir a reabertura, porque precisavam pagar as contas”, comenta. 

Em relação às medidas de flexibilização, quase 62% dos gestores começaram a implementar a reabertura entre abril e maio. Alguns até mesmo no mês de março, o que justifica o movimento de “abre e fecha” de algumas cidades.  

Flexibilização no Brasil é antecipada, diz Oxford

Pesquisadores da Universidade de Oxford analisaram os dados compilados pela CNM e se atentaram em observar a duração das medidas de isolamento social e o processo de flexibilização.

Segundo eles, o fechamento das atividades não essenciais teve vida curta e a retomada aconteceu de forma dessincronizada entre as cidades, sem coordenação nacional, sem observar a passagem de pico da doença, a ausência de casos confirmados no local e a situação em municípios vizinhos. 

A diretora do Programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford Andreza Santos disse à CNN que a pergunta que fica é: “Como que há esse alastramento e interiorização do vírus, mesmo com os municípios adotando medidas de distanciamento social, muitos até mesmo antes de terem casos confirmados?”.

Andreza explica que apesar do Brasil adotar medidas nos estágios iniciais da pandemia, a flexibilização também começou cedo, em algumas cidades, já no final de março, muitas vezes desconsiderando decisões de municípios vizinhos.