Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

EUA respeitarão resultado de eleição no Brasil, diz fonte do governo Trump

Integrante do Departamento de Estado afirma que EUA respeitarão escolha dos brasileiros e destaca relações com governos de esquerda e de direita

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Um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou à CNN que o governo de Donald Trump respeitará as escolhas do povo brasileiro e o resultado das eleições presidenciais de 2026 no país.

“Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil", respondeu a fonte do governo Trump ao ser questionada sobre as acusações de interferência dos Estados Unidos no pleito brasileiro.

O integrante do Departamento de Estado acrescentou que o governo norte-americano tem mantido relações com líderes brasileiros de direita ou esquerda. "Temos respeitado e mantido relações com governos dos dois lados do espectro político no Brasil e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou.

A declaração sobre o comprometimento do governo Trump com eleições livres no Brasil havia sido antecipada pelo repórter da CNN Danilo Moliterno.

O governo Lula tem acusado com frequência os Estados Unidos de tentar interferir nas eleições brasileiras. Se antes as alegações eram feitas de forma discreta, nos bastidores, nas últimas semanas o governo passou a expor suas críticas abertamente.

Logo após a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil irá "enfrentar qualquer pessoa de fora que vier a intervir no nosso sistema eleitoral".

O Itamaraty afirmou em nota que o cancelamento do visto tornava óbvio "o interesse descabido [dos Estados Unidos] de interferir na próxima eleição para presidente". No mesmo texto, a diplomacia brasileira alegou que os funcionários de Trump que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o país "para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional".

O governo brasileiro negou vistos a três funcionários norte-americanos que tentaram entrar no Brasil nos últimos meses. Em todos os casos, o governo Lula justificou que as entradas foram impedidas porque as visitas teriam como objetivo a interferência nas eleições.

A primeira negativa aconteceu em março de 2026, quando o governo brasileiro revogou o visto diplomático de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos EUA. O Itamaraty afirmou que houve “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita”. Beattie viajaria ao Brasil para participar de um fórum sobre minerais críticos e também pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, mas encontro não havia sido informado às autoridades brasileiras.

O Itamaraty também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado: Riley Barnes, secretário-assistente no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho; e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do mesmo escritório. Segundo Lula, os dois pretendiam viajar ao Brasil “para se meter na eleição brasileira”. O Departamento de Estado negou essa versão e afirmou que se tratava de uma missão oficial de rotina para discutir democracia, direitos humanos e liberdade religiosa.

Membros do governo Lula também alegam que a indicação de Daniel Pérez como embaixador dos EUA em Brasília a poucos meses das eleições seria uma tentativa de influenciar a corrida presidencial. A prova disso, defendem fontes do Itamaraty, é que o posto ficou vago por um ano e sete meses, sem que o governo Trump demonstrasse qualquer pressa na indicação.

Até o momento, o Brasil não concedeu a aprovação formal para Pérez assumir oficialmente a função, o chamado agrément. Fontes do governo brasileiro afirmam que o aval não deve sair antes das eleições de outubro.

O governo Trump afirmou que o cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti foi uma resposta à demora na concessão do agrément e às negativas de vistos a autoridades norte-americanas.