AstraZeneca: estudo explica formação de raros coágulos sanguíneos após vacinação

Estudo afirma que os efeitos adversos são considerados extremamente raros

Ilustração mostra coágulos em vasos sanguíneos
Ilustração mostra coágulos em vasos sanguíneos Foto: Divulgação/Opas

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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No final de janeiro, surgiram as primeiras suspeitas de que a vacina da AstraZeneca poderia estar relacionada a casos raros de formação de coágulos sanguíneos. Os coágulos sanguíneos são uma resposta fisiológica natural do organismo humano, que auxiliam no controle de um sangramento ou hemorragia.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) se pronunciou sobre os efeitos colaterais da vacina, afirmando que a combinação relatada de coágulos sanguíneos e plaquetas sanguíneas baixas é muito rara. A EMA reforçou que os benefícios gerais da vacina na prevenção de Covid-19 superam os riscos de efeitos colaterais.

Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também publicou um comunicado afirmando que um novo tipo de evento adverso denominado Trombose com Síndrome de Trombocitopenia (TTS), envolvendo eventos de coagulação sanguínea incomuns e graves associados a contagens de plaquetas baixas, foi relatado após a vacinação com a AstraZeneca.

O que explica a formação dos coágulos raros

Cientistas podem ter encontrado o fator decisivo para a formação de coágulos sanguíneos raros após a vacinação com a AstraZeneca. Um estudo, conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, revelou que uma proteína presente no sangue pode ser atraída por um dos componentes do imunizante.

Como resultado, a reação que envolve o sistema imunológico pode levar ao desenvolvimento dos coágulos. O estudo foi publicado no periódico Science Advances na quarta-feira (1º).

Os efeitos colaterais extremamente raros surgiram durante as campanhas de vacinação massivas pelo mundo, não sendo observados em estudos de fase 3 que acontecem durante o desenvolvimento das vacinas.

Esses efeitos adversos raros incluem a Trombose com Síndrome de Trombocitopenia (TTS), uma condição rara semelhante à trombocitopenia induzida por heparina (HIT), uma complicação grave da terapia anticoagulante com heparina associada à formação dos coágulos.

O estudo mostrou que os adenovírus utilizados como vetores na vacina da AstraZeneca se ligam a uma proteína chamada fator plaquetário 4 (PF4), que associada ao desenvolvimento da trombocitopenia induzida por heparina.

A pesquisa utilizou modelos computacionais para determinar a estrutura do adenovírus e demonstrar o mecanismo de interação a proteína PF4, que foi confirmado experimentalmente por um tipo de ressonância.

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