“É improvável que a Ômicron escape da proteção das vacinas”, diz imunologista

Brasil está acima da média global na vacinação contra a Covid-19

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

São Paulo

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O imunologista Rômulo Neris, em entrevista à CNN neste sábado (4), afirmou que  é muito improvável que a Ômicron escape 100% da proteção das vacinas já produzidas. De todo modo, “apesar do Brasil estar com cerca de 65% da população totalmente imunizada, é muito improvável que a nova variante do coronavírus seja a última barreira contra a Covid-19″.

As vacinas continuam mantendo um grau de proteção adequado, ainda mais nesse cenário, diz Neris. “Contudo, o que devemos focar é nos 35% da população [brasileira], não vacinada, pois esse grupo pode criar bolhas e desenvolver novas variantes”, diz.

Os primeiros casos da Ômicron no Brasil foram identificados em 30 de novembro, pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. “Porém, se a variante foi identificada [na última semana], ela já está circulando a mais tempo no país, mas não sabemos em quanto tempo e como [a variante] pode atrapalhar nossos esforços” afirma o imunologista.

As variantes de um vírus são identificadas de duas formas: as mutações que modificam o aspecto do vírus e atingem o corpo humano de alguma forma negativa e as mutações que não afetam a população. “As variantes de preocupação [do coronavírus] possuem proteínas que conseguem se ligar com o nosso pulmão e afetar o nosso organismo”, explica Neris.

As vacinas ensinam o sistema imunológico a se proteger, ajudando o corpo humano a criar anticorpos contra o coronavírus. “Mas precisamos parar com a ideia de que quanto mais doses em menos tempo é melhor”, diz o imunologista. “A dose de reforço é importante, nos ajuda a se proteger mais, mas devemos antecipar a dose respeitando o estudo de proteção dos laboratórios”.

Na última quinta-feira (2), o governo do Estado de São Paulo anunciou a redução de 5 para 4 meses do intervalo mínimo da dose de reforço.

“Mas eu acho que a gente só vai conseguir ultrapassar a pandemia quando todo o mundo se proteger juntos”, acredita Neris. “E devemos também incluir os países que não estão com tanta proteção contra a Covid-19, como a África”.

 

 

 

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