Vacinas e Ômicron: o que os laboratórios disseram sobre eficácia contra variante

Respostas das vacinas à Ômicron, no entanto, deverão ser apresentados apenas nas próximas semanas

Ao redor do mundo, ao menos 16 países registraram casos de infecção pela variante Ômicron
Ao redor do mundo, ao menos 16 países registraram casos de infecção pela variante Ômicron 23/02/2021REUTERS/Brendan McDermid

Amanda Andradecolaboração para a CNN

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Desde que foi reportada à OMS (Organização Mundial da Saúde) pela África do Sul, em 24 de novembro, a variante Ômicron tem gerado discussões sobre os impactos que poderá ter sobre a eficácia das vacinas. Embora não haja, até o momento, registro de mortes causadas pela nova cepa, ela provoca preocupação em autoridades ao redor do mundo por apresentar um número maior de mutações — o que pode torná-la mais transmissível do que as variantes anteriores.

Os laboratórios, nos últimos dias, têm se pronunciado a respeito do que sabem até o momento e de suas expectativas em relação à eventual necessidade de desenvolvimento de vacinas atualizadas. Com testes já em andamento, espera-se que em duas ou três semanas haja resultados que indiquem se será preciso que as vacinas passem por modificações.

Veja o que cada laboratório disse a respeito da variante Ômicron.

Pfizer/BioNTech

A vacina da Pfizer-BioNTech provavelmente oferece proteção contra casos graves da variante Ômicron, de acordo com Ugur Sahin, presidente-executivo da BioNTech.

Em declaração à Reuters, o CEO afirmou que as vacinas possivelmente não terão a mesma proteção contra casos leves e moderados da Covid-19 causados pela nova variante. Ele acredita, porém, que a eficácia contra a forma grave da doença (em que há necessidade de hospitalização ou tratamento intensivo) deve ser mantida.

“Para mim, não há motivo para preocupação especial. A única coisa que me preocupa no momento é o fato de que há pessoas que não foram vacinadas”, disse Sahin. Ele acrescentou que doses de reforço também poderão ajudar a evitar casos graves da Ômicron e que espera o lançamento de uma vacina atualizada, com lote inicial de 25 a 50 milhões de doses — o que deve levar cerca de 100 dias, desde que os reguladores aprovem.

Oxford/AstraZeneca

A Universidade de Oxford afirmou que não “há evidências de que as vacinas não possam prevenir casos graves de Covid-19 causados pela Ômicron” e acrescentou que está pronta para desenvolver rapidamente uma versão atualizada da vacina AstraZeneca caso seja necessário.

“Apesar do surgimento de novas variantes ao longo do último ano, as vacinas continuaram a fornecer altos níveis de proteção contra casos graves da doença, e não há evidência até agora de que seja diferente com a Ômicron”, declarou a universidade em comunicado. A instituição afirmou que avaliará com cuidado o impacto na variante sobre a sua vacina.

Moderna

A Moderna pode ter uma dose de reforço contra a Covid-19, visando o combate à variante Ômicron, testada e pronta para solicitar autorização nos EUA em março, disse o presidente da empresa, Stephen Hoge, nesta quarta-feira (1º).

Hoge afirmou acreditar que as doses de reforço transportando genes que visam especificamente mutações na variante Ômicron recém-descoberta seriam a maneira mais rápida de lidar com quaisquer reduções antecipadas na eficácia da vacina que ela possa causar. “Já iniciamos esse programa”, declarou.

A empresa também está trabalhando em uma vacina multivalente que incluiria até quatro variantes diferentes do coronavírus, incluindo a Ômicron. Isso pode levar mais vários meses, de acordo com o executivo.

Sputnik

A vacina Sputnik, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, provavelmente funciona contra a variante Ômicron, segundo Kirill Dmitriev, chefe do Fundo Russo para Investimento Direto. Ele disse, ainda, que o país estaria pronto para produzir centenas de milhões de doses de reforço, caso necessário.

Embora ainda não tenha aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina está sendo aplicada em alguns países, como a Nicarágua.

Novavax

A Novavax começou a trabalhar em uma nova versão da vacina contra a Covid-19, tendo como alvo a variante Ômicron. A farmacêutica afirmou que o imunizante estaria pronto para iniciar os testes nas próximas semanas. A vacina contém proteína spike desenvolvida com base na sequência genética da Ômicron — uma versão da proteína que ativaria o sistema imune sem causar a doença.

A vacina Novavax já recebeu aprovação para uso emergencial na Indonésia e nas Filipinas e pretende solicitar aprovação nos Estados Unidos até o fim do ano. A farmacêutica também pediu aprovação no Canadá e na Agência Europeia de Medicamentos.

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