Dólar bate novo recorde e fecha acima de R$ 4,51 em dia de apreensão do Ibovespa


Reuters
03 de março de 2020 às 19:18

A cotação do dólar em relação ao real subiu pela décima sessão consecutiva nesta terça-feira (3) e fechou acima de R$ 4,51 pela primeira vez na história. Este foi o nono recorde nominal seguido da moeda americana, em um dia de grande instabilidade nos mercados globais devido a apreensão pelo impacto do novo coronavírus na economia mundial. 

O temor cresceu após um corte extraordinário de juros do Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, o que gerou rumores de um impacto além do esperado da nova doença. No Brasil, o dólar à vista fechou em alta de 0,54%, a R$ 4,5151 reais na venda. Pelo menos desde março de 2002 o dólar não subia por dez sessões consecutivas. Na série atual, a moeda já acumula valorização de 4,88%.

Ibovespa em queda

O Ibovespa também teve resultados negativos nesta terça-feira, fechando em queda. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa tocou a máxima da sessão, a 108.803,58 pontos, em alta de 2%, logo após o Fed anunciar corte dos juros em 0,50 ponto percentual, para uma meta de 1,00% a 1,25%, em decisão unânime e seu primeiro corte de juros emergencial desde a crise financeira.

O resultado também foi consequência das decisões do presidente FED, Jerome Powell, que, em comunicado, afirmou que o novo coronavírus representa um risco material também para as perspectivas econômicas da instituição. 

"O coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. À luz desses riscos e em apoio ao cumprimento de suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a meta para a taxa de juros", afirmou o Fed em comunicado.

Inicialmente, as bolsas em Nova York também reagiram com ganhos à decisão, o fôlego arrefeceu na sequência, em meio a comentários de Powell, citando mudança no balanço de riscos e que é necessária uma resposta multifacetada para proteger as economias dos efeitos do vírus, que, segundo ele, não estão aparecendo nos dados ainda.

Na visão da equipe do Bank of America, o FED ainda deve promover outros cortes nos juros, sendo o próximo de 0,25 ponto, na reunião da organização, já agendada para os dias 17 e 18 deste mês, e outro similar em abril. "O Fed parece comprometido em antecipar os cortes, agindo de forma agressiva e vigorosa", destacou o banco em nota a clientes.

Mais cedo, ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G7 disseram que usarão todas as ferramentas econômicas apropriadas para se proteger contra os riscos negativos do surto da doença.

O surto de coronavírus, que começou na China, se espalhou para mais de 60 países e matou mais de 3 mil pessoas no mundo, com dois casos confirmados no Brasil. Investidores têm reagido com fortes vendas nos mercados acionários globais desde o final de fevereiro à rápida disseminação do novo vírus para outros países além da China, entre eles os Estados Unidos, em razão de temores sobre o impacto negativo na economia mundial.

No Brasil, tal cenário pode atropelar a aguardada retomada econômica. O Goldman Sachs cortou nesta terça-feira sua projeção para a expansão do PIB brasileiro em 2020, de 2,2% para 1,5%, bem como de outros países da América Latina, citando expectativa de impacto significativo no crescimento global, um número crescente de infecções por Covid-19 na região e condições financeiras mais difíceis dado o aumento da aversão ao risco e dos prêmios.