Dólar bate novo recorde e fecha a R$ 4,651; Ibovespa cai 4,65%


Reuters
05 de março de 2020 às 20:57 | Atualizado 15 de março de 2020 às 17:07
Mulher passa em frente a casa de câmbio em São Paulo

Mulher passa em frente a casa de câmbio em São Paulo (05.mar.2020)

Crédito: Rahel Patrasso/Reuters

O preço do dólar voltou a bater recorde de alta nesta quinta-feira (5), fechando em R$ 4,651. É a 12ª alta consecutiva. No acumulado do ano, a moeda disparou 15,90%. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,65%, a 102.233,24 pontos, com todas as ações da carteira em queda e menor nível desde outubro. 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a normalizar a alta da moeda norte-americana. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de a cotação do dólar chegar a R$ 5, Guedes disse que caso "muita besteira" seja feita esse patamar pode ser alcançado.

"Se o presidente pedir para sair, se o presidente do Congresso pedir para sair... se todo mundo pedir para sair... se todo mundo falar que... entende... se tiver... bom, às vezes eu faço algumas brincadeiras de professor e isso vira coisa errada", disse.

Guedes: "Não tem nada de errado"

Considerando um ambiente "normal" de demanda do investidor por "hedge" no dólar, Guedes disse que quem quiser remeter dinheiro para o exterior pode remeter.

"O BC está vendendo, está provendo alguma liquidez e está tudo bem. Não tem nada de errado. É um câmbio flutuante. Por isso o BC vende um pouco (de dólar), para não deixar subir rápido demais."

Somando uma oferta já programada e duas extraodinárias, o BC vendeu um total de 3 bilhões de dólares apenas nesta sessão em contratos de swap cambial tradicional. O swap é um derivativo que paga ao comprador a variação cambial acrescida de uma taxa de juros. Na prática, funciona como uma injeção de liquidez no mercado futuro.

Guedes citou que a implementação das reformas pode ajudar a baixar o dólar e citou a cobertura da imprensa nesse contexto.

"Como estamos confiantes que o Congresso vai apoiar a reforma, como estamos confiantes que o presidente apoia as reformas e está mandando as reformas, como estamos confiantes que a mídia vai entender que o Brasil está mudando para melhor, é uma questão de tempo, quem sabe se vocês estiverem menos nervosos daqui a um mês e vendo as mudanças econômicas que estão acontecendo quem sabe o dólar acalma", disse o ministro.

Guedes disse que o governo vai mandar a reforma administrativa para a Câmara dos Deputados, que já colocou o Pacto Federativo no Senado Federal e que na semana que vem "começamos a entrar com a tributária".

Agentes financeiros também têm monitorado a disparada do dólar frente ao real, em meio a apostas de novos cortes da Selic na esteira de expectativas de menor crescimento da economia.

"Esperamos agora que o BC anuncie um corte de 0,5 ponto percentual em março, seguido por outro (de) 0,25 ponto, trazendo a Selic para a nova mínima recorde de 3,5% até o fim do ano", afirmou o Bank of America em nota.

A maior incerteza externa combinada com a expectativa de menor crescimento no Brasil fez a XP Investimentos cortar a previsão para o Ibovespa no fim de 2020, de 140 mil para 132 mil pontos.

"Vemos impactos negativos no curto prazo para a bolsa brasileira, tanto em potencial impacto nos lucros quanto no múltiplo de avaliação (Preço/Lucro)", afirmou o estrategista-chefe, Fernando Ferreira, em relatório a clientes, acrescentando que vê o Ibovespa chegando a 140 mil em meados de 2021.