Não é normal o Brasil crescer 1%, diz secretário do Tesouro


Anna Russi Da CNN Brasil, em Brasília
05 de março de 2020 às 11:19 | Atualizado 15 de março de 2020 às 17:10
Mansueto

Crédito: Anna Russi / CNN Brasil

O secretário do Tesouro Nacional do Ministério da Economia, Mansueto Almeida, afirmou nesta quinta-feira (5) que o crescimento econômico do Brasil ainda é baixo e causa preocupação. "Se me perguntarem se eu durmo tranquilo, eu não durmo tranquilo", disse ele durante o 113º Fórum do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), em Brasília.

Para o secretário, é fundamental que países emergentes tenham resultados superiores aos apresentados pelo Brasil nos últimos três anos. "Estou preocupado porque ainda somos um país em que o crescimento é muito baixo. Não é normal um país em desenvolvimento, como o é Brasil, crescer 1% ao ano. Isso não é normal", disse. "É frustrante um país com tanta carência e com tanta desigualdade crescer nesse patamar."

Na avaliação de Almeida, o atual cenário exige um consenso sobre o que o Brasil precisa para acelerar e aumentar o ritmo da atividade econômica, bem como do investimento privado. No entanto, de acordo com Mansueto, também há um ambiente mais favorável, que abre espaço para o debate de temas econômicos, como a autonomia do Banco Central. 

O secretário ainda destacou que “é assustador” como há uma falta de conhecimento sobre as decisões orçamentárias. “Temos que deixar o debate transparente. Não podemos querer aprovar coisas de forma desesperada. O Congresso não está atrasando, o Congresso está debatendo e tem o seu tempo para discutir reformas. O orçamento é uma peça política e é bom que a gente entenda isso", afirmou.

Dólar

Almeida reforçou que o Ministério da Economia não tem atribuição para intervir no câmbio. "A questão de dólar é exclusiva do Banco Central", diz ele. "O Tesouro nunca faz ação coordenada em questão cambial", afirmou.

Porém, ele explicou que, eventualmente, a pasta pode até debater sobre o câmbio, mas somente em caso de disfunção no mercado de títulos públicos. "Aconteceu isso em 2018 e 2017, mas não temos observado isso agora", disse ele. "O que fazemos, às vezes, é uma atuação no mercado de títulos: troca informação sobre como está a atuação deles em compromissadas, que aumenta a dívida pública", garantiu. 

No mercado de títulos públicos, empresas, investidores, bancos e fundos de pensão compram e vendem títulos públicos, alguns deles com correção cambial. Os títulos do Tesouro Direto, por exemplo, são negociados diretamente com os investidores.