AES Tietê diz que oferta da Eneva é hostil e busca assessores para avaliá-la


Reuters
09 de março de 2020 às 10:25 | Atualizado 15 de março de 2020 às 16:55
Usina de Ibitinga

 

Foto: AES Tietê/Divulgação (09.mar.2020)

A elétrica AES Tietê, da norte-americana AES, qualificou uma proposta apresentada pela Eneva para combinação dos negócios das companhias como uma "oferta hostil" e disse que irá contratar assessores para avaliar o possível negócio.

Em comunicado divulgado no domingo, a AES afirmou ainda que convocou uma reunião extraordinária de seu Conselho de Administração, em 13 de março, para definir a contratação de uma equipe de assessores que apoiará as análises.

A Eneva apresentou em 1° de março uma proposta para fundir seus negócios aos da AES Tietê, em operação que envolveria pagamento aos acionistas da AES Tietê de R$ 2,75 bilhões em dinheiro e mais um valor adicional em ações da Eneva.

"Em relação à oferta hostil (não solicitada) enviada pela Eneva... o Conselho de Administração solicitou à diretoria da companhia, no cumprimento de seu dever fiduciário, que obtivesse propostas de assessores financeiros e legais para auxiliá-lo na análise da referida proposta", disse a AES Tietê no comunicado.

Já a Eneva disse, também em comunicado no domingo, que enviou nova carta à AES Tietê "diante da ausência de contato" da companhia desde a apresentação da oferta.

A Eneva disse que "reafirma a disposição de sua administração, bem como de seus assessores financeiros e legais, para engajar em tratativas" e reiterou um convite para uma reunião em que a proposta seria apresentada em detalhes.

A proposta da Eneva, válida por 60 dias, prevê combinar seus negócios, que envolvem operação de termelétricas e exploração de gás, ao portfólio da AES Tietê, composto por hidrelétricas, usinas eólicas e parques solares.

O negócio, segundo a empresa, envolveria prêmio de 13,3% sobre o preço de fechamento das ações da AES Tietê antes do anúncio da oferta.

A combinação dos ativos de Eneva e AES Tietê, se bem sucedida, criaria uma companhia que chegaria a 6,4 gigawatts em capacidade de geração até 2024, contra cerca de 8,7 gigawatts da atual líder privada em geração no Brasil, a Engie Brasil Energia, da francesa Engie.