Bolsonaro busca minimizar caos no mercado brasileiro por petróleo e coronavírus


Reuters
09 de março de 2020 às 22:59 | Atualizado 15 de março de 2020 às 13:48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou o caos no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (9), colocando a responsabilidade pela turbulência nos preços do petróleo, depois de afirmar durante discurso em Miami que os números da economia vem mostrando que o Brasil começou a se arrumar.

“Obviamente os números de hoje têm a ver, a queda drástica da Bolsa de Valores no mundo todo, tem a ver com a queda do petróleo que despencou, se eu não me engano, 30%", disse Bolsonaro durante encontro com membros da comunidade brasileira na Flórida.

Além disso, o presidente afirmou que o novo coronavírus também tem influência no nervosismo dos mercados e, repetindo o que já dissera o presidente norte-americano, Donald Trump, disse acreditar que a epidemia esteja sendo superestimada por razões econômicas.

“Tem a questão do coronavírus também, que no meu entender está superdimensionado o poder destruidor desse vírus, então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica”, defendeu.

Em mais de uma ocasião, Trump — em quem Bolsonaro admite se inspirar — afirmou que a crise do coronavírus está sendo “inflamada” pela mídia “fake news” para “muito além do que os fatos mostram”.

A bolsa paulista teve o pior dia em mais de duas décadas nesta segunda, em sessão marcada por circuit breaker após decisões da Arábia Saudita derrubarem os preços do petróleo e elevarem as incertezas a um mercado já afetado por temores sobre os reflexos do coronavírus na economia global. Ao mesmo tempo, o dólar atingiu novos recordes históricos, aproximando-se de R$ 4,80.

As ações da Petrobras fecharam em queda histórica de quase 30%, com a empresa perdendo cerca de R$ 91 bilhões em valor de mercado. Com a queda de 12,17% de hoje, o Ibovespa voltou a 86.067 pontos, a mínima desde dezembro de 2018, anulando todos os ganhos durante o governo Bolsonaro.

Servindo como porta-voz do governo em Miami, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, garantiu que o presidente estava tranquilo mesmo com a crise e que não seriam tomadas medidas emergenciais para tentar controlar o pânico dos mercados.

Bolsonaro defendeu o desempenho da economia, elogiou a realização da reforma da Previdência e disse que "temos duas grandes reformas pela frente", referindo-se às mudanças administrativas e tributárias.

Os mercados brasileiros seguem na expectativa para o andamento dessas reformas, consideradas essenciais para a retomada da economia este ano. A reforma administrativa ainda precisa ser enviada pelo governo ao Congresso, enquanto a segunda já começou a andar no Legislativo, mas ainda sem as sugestões do Executivo.