Com queda brusca de mais de 10%, Bovespa interrompe negociações


Reuters
09 de março de 2020 às 10:45 | Atualizado 15 de março de 2020 às 16:54

Na manhã desta segunda-feira (9), a B3 abriu com grandes perdas e interrompeu suas negociações. Às 10h34, o Ibovespa, que é o principal indice da bolsa brasileira, caía 10,02%, a 88.178 pontos. A queda acompanha o nervosismo no ambiente financeiro global após decisões da Arábia Saudita de derrubar os preços do petróleo no exterior e adicionar mais um componente negativo a um mercado já avesso a risco pelas preocupações relacionadas ao novo coronavírus.

Bolsa de valores

Bolsa caía 10,02% às 10h34 (09.mar.2020)

Foto: Foto: Agência Brasil

Em Wall Street, as negociações também foram interrompidas imediatamente após a abertura, depois que o S&P 500 caiu 7%. A suspensão automática de 15 minutos foi estabelecida após a crise financeira de 2008 e 2009.

Circuit breaker é o mecanismo utilizado pela Bolsa que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda. Esse instrumento constitui-se em uma “proteção” à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado.

Quando o Ibovespa atinge limite de baixa de 10% em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na Bolsa, em todos os mercados, são interrompidos por 30 minutos no mercado paulista.

Reabertos os negócios, caso a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 15% em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na Bolsa, em todos os mercados, serão interrompidos por uma hora. Após a nova reabertura, caso o índice caía para 20%, a bolsa pode suspender os negócios por um prazo indefinido.

Contexto

Na sexta-feira, Ibovespa fechou em queda de 4,14%, a 97.996,77 pontos, ampliando as perdas no ano para mais de 15%, em meio à continuidade dos temores sobre os efeitos do surto do COVID-19 na economia mundial.

Os preços do petróleo chegaram a cair mais de 30% nesta segunda-feira, o maior recuo diário desde a Guerra do Golfo, em 1991, após a Arábia Saudita ter sinalizado que elevará a produção para ganhar participação no mercado. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda.

As ações da Petrobras centralizavam as atenções, tendo já registrado forte recuo na sexta-feira, após a Rússia recusar aderir a cortes adicionais de oferta propostos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para estabilizar os mercados da commodity.

Os papéis estavam em leilão de abertura, apontando quedas de mais de 20% cada. Após a abertura os papéis continuavam movimento e desabavam mais de 23% cada.

Analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação para os papéis da Petrobras para 'neutra', reduzindo o preço-alvo das preferenciais para R$ 23,50 ante R$ 38, para incorporar "um cenário de preço do petróleo mais pessimista em nosso modelo após a enorme decepção com a última reunião da Opep e as repercussões anunciadas pela Arábia Saudita".

O Goldman Sachs cortou sua previsão para os preços do petróleo Brent para o segundo e terceiro trimestres de 2020 para US$ 30 o barril, "com possíveis quedas de preços para níveis de estresse operacional e custos de caixa bem próximos de US$ 20 o barril", conforme relatório a clientes ainda no domingo.