Nos EUA, Bolsonaro garante reformas e apoio a agenda de Guedes

Presidente falou plateia de cerca de 350 empresários em Miami

Reuters
09 de março de 2020 às 13:44 | Atualizado 15 de março de 2020 às 13:53

Presidente Jair Bolsonaro fala a empresários durante visita aos Estados Unidos (9.mar.2020)

Foto: Alan Santos/PR

Ao mesmo tempo que os mercados financeiros brasileiros iniciavam um dia caótico, com a bolsa paulista acionando o circuit breaker após o Ibovespa ter desabado 10% e o dólar próximo à barreira de 4,80 reais, o presidente Jair Bolsonaro abriu em Miami um seminário empresarial falando em fidelidade absoluta à política econômica do ministro da Economia, mas sem citar a crise.

Para uma plateia de cerca de 350 empresários, a maioria de brasileiros que atuam no mercado norte-americano, Bolsonaro leu um discurso em que deixou fora a crise do mercado e garantiu sua intenção de melhorar o ambiente de negócios e seguir a política econômica de Paulo Guedes.

"Às suas políticas econômicas somos leais e buscamos implementá-las em todas as formas. Qualquer um dos nossos ministros está habilitado e qualificado para enfrentar qualquer desafio. Estamos mostrando que estamos no caminho certo", disse o presidente.

Bolsonaro fez questão de indicar um bom relacionamento com o Congresso, depois da crise entre Executivo e os demais Poderes ter sido apontada como uma das causas da volatilidade e insegurança do mercado brasileiro, e ressaltou sua intenção de manter as reformas tributária e administrativa.

"Tivemos apoio do Parlamento na reforma previdênciária, a mãe de todas as reformas. Outras duas se apresentam pela frente. Conversei ontem com o presidente Rodrigo Maia e ele falou que, apesar de alguns atritos, que é muito normal na política, a Câmara fará sua parte buscando a melhor reforma administrativa e tributária", disse.

Bolsonaro tem resistido a enviar o texto da reforma administrativa, que mexe na estrutura do serviço público, por receio da reação das corporações. O texto estaria pronto, mas não foi apresentado ainda.

Já a tributária tem sido tocada pela Câmara, sem o governo ter apresentado até agora as suas prometidas contribuições.

O encontro em Miami foi organizado pela Agência de Promoção de Exportações (Apex) para incentivar novos investimentos no Brasil, em um momento em que as incertezas sobre a economia brasileira levam à retirada constante de recursos do país.

Apenas nos dois primeiros meses deste ano, investidores estrangeiros retiraram mais de US$ 40 bilhões do mercado secundário de ações brasileiro.

Bolsonaro usou sua fala para destacar sua intenção de melhorar o ambiente de negócios no país, e aproveitou para fazer críticas aos governos anteriores.

"O Brasil está se preparando cada vez mais para enfrentar seus desafios. Na questão econômica, a confiança acima de tudo. Honrar compromissos, buscar retaguardas jurídicas são nosso objetivo. Queremos simplificar, desburocratizar e desregulamentar. Algumas medidas já tomamos, mas sabemos que não são suficientes", disse.

"Temos um inimigo interno ainda forte, a esquerda. Combatemos duramente, sabemos que não podemos dar trégua ou oportunidade para eles, caso contrário eles voltam, como voltaram a um importante país ao sul da nossa querida América do Sul."

Nesta segunda, os mercados globais abriram caóticos em função de uma disputa no mercado de petróleo entre Arábia Saudita e Rússia, que se somou aos impactos econômicos da epidemia de coronavírus, arrastando junto a bolsa paulista e as taxas de câmbio no Brasil.

O caos nos mercados foi evitado no seminário. Nem o presidente nem o secretário de Comércio Exterior, Marcos Troyjo, citaram o tema ao se apresentar aos empresários.