Contingenciamento é o cenário mais provável para 2020, diz secretário


Anna Russi Da CNN Brasil, em Brasília
10 de março de 2020 às 19:14
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Governo deve ter novs contingenciamentos em 2020, mesmo com pressões globais (15.Out.2010)

Foto: Bruno Domingos/Reuters

O secretário especial da Fazenda do ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10/3) que um contingenciamento de despesas deve acontecer para que haja o cumprimento da meta fiscal deste ano. "Dados apontam que contingenciamento é o cenário mais provável", disse ele após participar de um evento Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília. 

A fala do secretário aparece como uma resposta à crescente pressão de empresários e especialistas para que haja uma flexibilização no teto de gastos e um aumento da intervenção do Estado na economia. O temor deles é que os impactos das crises do petróleo e do coronavírus sejam mais fortes caso o governo não atue mais fortemente na contenção. 

Porém, esses exemplos foram utilizados pelo secretário para defender o contingenciamento e austeridade. Para Rodrigues, a instabilidade no preço do barril e a revisão na expectativa de crescimento para o Brasil devem trazer menor arrecadação do que o governo estimava no início do ano. Além disso, descartou completamente qualquer flexibilização do teto de gastos. 

“O teto de gastos é de enorme valor para a disciplina do país. Ele dá uma diretriz de zelo fiscal importantíssima”, disse. 

O secretário também informou que o governo deve trazer uma nova projeção para o PIB nesta quarta-feira (11/3). De acordo com ele, o documento trará um corte em relação aos 2,4% de crescimento estimados para 2020, mas que ainda devem ficar acima dos 2% – acima da previsão de especialistas no Boletim Focus. 

“O crescimento tende a ser reduzido, mas pode ficar acima dos 2%. Colocamos todos os números em três cenários: um mais otimista, um mais neutro e outro mais pessimista. Nós estudamos cenários com diversas gradações", afirma.

Estímulo fiscal 

Ao contrário do que outros países têm feito para evitar efeitos mais pesados das crises, Rodrigues afirmou que a melhor agenda para o Brasil no momento é a de reformas.  "A nossa diretriz é firme e sólida. Vamos nos manter na defesa das medidas estruturais que propusemos, em particular às reformas administrativa e tributária e a PEC do pacto federativo. Todas essas medidas darão dinamismo na economia", afirmou.

O secretário reiterou a fala do ministro da Economia, Paulo Gudes, e diz também enxergar com serenidade as turbulências globais. “É um quadro que requer atenção, mas aprovadas as reformas teremos a economia respondendo de maneira sólida”, disse Rodrigues.