'Muito do que falam é fantasia, isso não é crise', diz Bolsonaro


Estadão Conteúdo
10 de março de 2020 às 17:30 | Atualizado 15 de março de 2020 às 13:43
Presidente Jair Bolsonaro discursa a empresários em Miami

Presidente Jair Bolsonaro discursa a empresários em Miami

Foto: Marco Bello - 9.mar.2020/Reuters

Um dia depois de os mercados financeiros ao redor do mundo registrarem perdas históricas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou que haja uma crise e culpou a imprensa pela situação.

"Muito do que tem ali é mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga", disse Bolsonaro em evento em Miami (EUA). Na segunda-feira (9), ele já havia dito que a disseminação da doença estava "super dimensionada".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tem minimizado o coronavírus. Segundo fontes presentes no jantar entre Trump e Bolsonaro em Mar-a-Lago, no sábado (7), os dois conversaram sobre a disseminação do vírus e estimaram que até o final de abril haverá uma melhora na situação.

"Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo (…) É melhor cair 30% do que subir 30% do preço do petróleo. Mas isso não é crise. Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as bolsas que começam a abrir hoje já começam com sinais de recuperação", afirmou na manhã desta terça-feira (10) em evento a empresários.

A segunda-feira foi caótica para os mercados financeiros, com a disseminação do coronavírus e a violenta queda nos preços de barris de petróleo, em uma disputa de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia. As ações de empresas negociadas na B3 perderam em cifras o maior prejuízo da Bolsa em um único dia desde o início do Plano Real, em 1994. A Bolsa brasileira teve de suspender os negócios, depois que a queda passou de 10%, e em Nova York também houve interrupção temporária nas negociações ao longo do dia.

Nesta terça-feira, Bolsonaro voltou a negar que o governo possa aumentar o tributo federal sobre combustíveis, a Cide, como forma de compensar uma possível queda no preço da gasolina . "Zero, zero, não existe isso (sobre aumento da Cide). A política que a Petrobrás segue é a de preços internacionais, então a gente espera, obviamente, não como presidente, mas como cidadão, que o preço caia nas refinarias e seja repassado ao consumidor na bomba", afirmou o presidente.

Jantar com Trump

Bolsonaro afirmou que Trump está disposto a "buscar o livre comércio" com o Brasil. "Discutimos questões pontuais, como é do interesse americano, etanol e carne de porco. Pedi para ele para que nós deixássemos questões pontuais e discutíssemos de forma mais ampla. Ele concordou. Então nossas assessorias vão começar a discutir livre-comércio mais amplo com EUA", disse.

Os dois países estão desde o ano passado negociando acordos pontuais de liberalização de comércio — o que não envolve negociação sobre tarifas, portanto, não se caracteriza como um acordo de livre-comércio. No jantar, as conversas confirmaram o interesse de formular um pacote de medidas para facilitar negociações entre os dois países.