BNDES vai frear venda de ações diante de turbulência nos mercados


Reuters
11 de março de 2020 às 14:48 | Atualizado 15 de março de 2020 às 13:10
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Prédio do BNDES no Rio de Janeiro (8.Jan.2019); BNDES havia contratado bancos para vender a participação de 21,3% que possui na JBS

Foto: Sérgio Moraes/Reuters

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse nesta quarta-feira que o banco fará uma pausa na venda de ações, devido à instabilidade das bolsas de valores provocada por preocupações com o coronavírus, mas manterá a estratégia nos próximos anos.

"O momento agora é de espera e cautela porque o que vivemos hoje não é um choque financeiro e temos que aprender com o que está por vir", disse ele.

O BNDES já havia contratado bancos para organizar a venda da participação na JBS, na qual detém 21,3% do capital.

A carteira de renda variável foi o destaque do BNDES em 2019, quando teve lucro recorde de R$ 17,7 bilhões, alta de 164% ante 2018. A venda de participações societárias do banco somou cerca de R$ 16,5 bilhões.

Essa carteira teve valorização de R$ 34,9 bilhões em 2019. Mas nos últimos 50 dias a desvalorização foi de R$ 30 bilhões, sendo R$ 12 bilhões última segunda-feira, disse ele.

"Com uma desvalorização substancial de agora e sem ter um preço mais estabilizado, não é trivial encontrar preços de referências para as ações", disse Montezano a jornalistas.

No entanto, o BNDES não pretende por ora adotar nenhuma medida anticíclica, como abrir novas linhas de crédito para empresas. Também não está nos planos reduzir juros dos empréstimos ou ampliar prazos de carência aos tomadores.

Segundo Montezano, o banco entende que essas medidas não são necessárias no momento, por que há liquidez nas linhas de crédito e funding.

"A gente entende que nosso papel contraciclico nesse momento é manter as linhas abertas e inalteradas", ponderou o executivo. "Se algum cliente que fosse fazer uma emissão de debêntures e o mercado fechar temporariamente, ele pode recorrer o banco e vamos financiar".

Em 2019, os empréstimos do BNDES somaram R$ 55 bilhões, menor nível desde os R$ 49,4 bilhões. A previsão para desembolsos esse ano é de R$ 60 a R$ 70 bilhões.

Montezano reforçou que o banco está sólido para eventuais necessidades. O BNDES tem uma posição de caixa de R$ 140 bilhões além de uma perspectiva de recebimento de empréstimos feitos no passado de R$ 100 bilhões.

Por conta da crise nos mercados, o banco avalia quanto vai devolver esse ano ao governo. Em valores pré-aprovados, estão previstos cerca de R$ 17 bilhões.

Em 2019, as devoluções do BNDES somaram R$ 142 bilhões, sendo R$ 123 bilhões referentes a repasses do Tesouro Nacional, R$ 9,5 bilhões em dividendos e R$ 9,7 bilhões em tributos.