Bolsa de NY despenca com aversão ao risco causada por pandemia de coronavírus


Reuters
11 de março de 2020 às 18:37 | Atualizado 11 de março de 2020 às 18:38
Bolsa de valores

Operador trabalha na Bolsa de Nova York (5.Mar.2020)

Foto: Reuters/Andrew Kelly

A Bolsa de Nova York despencou nesta quarta-feira (11), com o Dow Jones confirmando "bear market" pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o coronavírus como pandemia. Um "bear market" é confirmado quando um índice fecha 20%, ou mais, abaixo da máxima mais recente de fechamento.

No fim da sessão, o Dow Jones perdeu 5,86%, para 23.553,22 pontos, o S&P 500 teve queda de 4,89%, para 2.741,38 pontos, e o Nasdaq Composite caiu 4,7%, para 7.952,05 pontos.

Todos os três principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram a sessão acentuadamente mais baixos, com o índice de referência S&P 500 e o índice Nasdaq estando, ambos, aproximadamente 19% inferiores às máximas de fechamento, em 19 de fevereiro.

Os agentes do mercado foram ainda mais abalados após a Casa Branca ordenar que as reuniões de alto nível sobre o coronavírus fossem confidenciais.

"Hoje existem muitas más notícias, um número crescente de pessoas com a doença, há diferentes pontos de vista sobre como o estímulo deve funcionar e o mercado está agindo de acordo", disse Peter Tuz, presidente do Conselho de Investimentos em Charlottesville, Virginia.

A falta de detalhes do governo Trump sobre seus planos de estímulo fiscal e disputas partidárias em Washington acrescentaram mais dúvidas ao processo.

"A ajuda fiscal pode demorar a chegar, em razão das diferenças entre o presidente e o Congresso sobre a forma que deve ser", acrescentou Tuz.

A Boeing representou o maior peso para o Dow Jones, caindo 18,2% depois de anunciar planos para levantar um empréstimo já pré-aprovado de US$ 13,8 bilhões na sexta-feira. A fabricante de aviões sofreu sua maior queda de três dias, superando as consequências dos ataques de 11 de setembro de 2001.