Ibovespa recua com pressão do exterior e queda de papéis da Petrobras


Reuters
11 de março de 2020 às 13:26 | Atualizado 15 de março de 2020 às 13:13
Bolsa de valores de SP

Dia de pregão na bolsa de valores de São Paulo (09.Mai.2016); Ibovespa segue em queda nesta quarta-feira

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Após a sessão de ajustes e caça de barganhas de terça-feira, o Ibovespa voltava a mostrar fraqueza nesta quarta-feira, pressionado pela queda no preço do petróleo que atinge as ações da Petrobras, além do crescente temor sobre o impacto da epidemia de coronavírus.

Às 11:22, o Ibovespa caía 2,89 %, a 89.546,88 pontos. O volume financeiro somava R$ 5,7 bilhões.

A recuperação da maior queda em mais de 20 anos, que levou o Ibovespa a subir cerca de 7% na sessão da véspera, perdeu gás nesta quarta-feira, com o temor global tomando conta dos mercados.

Impactando ações da Petrobras no Brasil, a Arábia Saudita disse nesta quarta-feira que planeja expandir a capacidade de produção de petróleo pela primeira vez em mais de uma década, em meio a uma briga por participação no mercado que derrubou os preços globais da commodity nesta semana.

A frustração da expectativa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciaria um plano de estímulos econômicos contra os efeitos do coronavírus também pesava sobre os mercados, já que Trump ainda não divulgou nenhuma medida concreta.

O surto do vírus também forçava governos a agir contra a desaceleração econômica. Na Europa, o banco central britânico cortou a taxa de juros em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira.

Para analistas da Terra Investimentos, o pessimismo deverá tomar conta da sessão, com os riscos externos, e o aumento no número de infectados pelo coronavírus, sendo reforçados pelo lado interno, marcado pela demora de medidas do governo sobre reformas e de combate aos impactos do vírus na economia.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou mensagem ao Congresso na noite de terça-feira com pedido aos presidentes da Câmara e do Senado para que acelerem a pauta de medidas econômicas.

Diante deste cenário, a equipe econômica cortou projeção de crescimento neste ano a 2,1%, ante patamar de 2,4% calculado em janeiro. A estimativa ainda é superior à expansão de 1,99% esperada pelos economistas para a economia neste ano, conforme boletim Focus mais recente.

Destaques

- PETROBRAS PN recuava 3,6%, refletindo nova queda nos preços do contrato futuro do petróleo, diante do plano da Arábia Saudita para expandir a capacidade de produção da commodity para 13 milhões de barris por dia (bpd), ante 12 milhões atuais. A ação ordinária caía 3,4%.

- TELEFÔNICA BRASIL avançava 2,7% e TIM ganhava 4%, após manifestarem na noite da véspera interesse em uma negociação conjunta para a compra da operação móvel da Oi, em transação que pode significar a saída de mais uma operadora do setor no país. OI ON, que não faz parte do Ibovespa, saltava 14,6%, a 1 real.

- VALE ON perdia 4%, em sessão de ajustes após o salto de 18% na véspera, diante da alta dos preços do minério de ferro na China. CSN ON registrava forte recuo de 6%, também após valorização. Um funcionário da empresa em São Paulo foi diagnosticado com coronavírus, informou uma fonte.

- LOCALIZA ON desvalorizava-se 2,8%. A empresa divulgou na noite de terça-feira lucro líquido consolidado de R$ 228,4 milhões no quarto trimestre de 2019, alta de 25,9% ante mesma etapa do ano anterior e pouco abaixo das expectativas de analistas de R$ 236,2 milhões.