Dólar bate novo recorde em fechamento e vai a R$ 4,47; Ibovespa cai 2,59%


14 de março de 2020 às 15:46
Pilha de dólares; moeda americana atinge valor recorde no Brasil

Com ameaça do coronavírus, dólar tem renovado recorde nos pregões da Bolsa de São Paulo

Crédito: Guadalupe Pardo/Reuters (14.10.2015)

Em meio às oscilações negativas do mercado por conta do coronavírus, o dólar comercial subiu pelo sétimo dia consecutivo e fechou esta quinta-feira (27) cotado a R$ 4,475 na venda — renovando o recorde de maior valor nominal (sem considerar inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real.

Ao longo do dia, a moeda chegou atingir a marca de R$ 4,5016, em mais um pregão de perdas na Bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice do país, encerrou em queda de 2,59%, com 102.983.54 pontos, dando sequência ao recuo de 7% na véspera. 

No acumulado de fevereiro, o Ibovespa soma queda de 9,47%. Se considerarmos todo o ano de 2020, o recuo até o momento foi de 10,95%. 

O mercado financeiro brasileiro acompanha a tendência global de quedas relacionado aos temores de perdas econômicos pelo surto de coronavírus. Diagnosticada primeiramente na China, a doença teve seu primeiro caso positivo confirmado no Brasil na quarta-feira (26).

O avanço da doença já preocupava os mercados mundiais porque pode desacelerar o crescimento da China, segunda maior economia do mundo e protagonista no comércio global. Agora, crescem também as dúvidas quanto ao impacto do vírus na economia europeia — por conta do avanço na Itália, principalmente — e seus reflexos na atividade global como um todo. 

Em cenários de incerteza, os investidores migram recursos alocados em mercados emergentes, como o Brasil, para outros considerados mais seguros, como o americano. O aumento da demanda por dólares faz a cotação subir. "O impacto do coronavírus continua sendo uma incógnita e uma ameaça para a economia mundial", resumiu em nota Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, citando movimentos de proteção.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, disse que o movimento desta quinta-feira é reflexo do "fator externo, um acompanhamento da tendência do exterior; moedas emergentes continuam fragilizadas pela busca de refúgio em ativos mais seguros".

No entanto, ressaltou que "por ora, o movimento ainda é modesto em comparação à alta do dólar nos outros dias, como ontem". "Isso sugere tentativa de estabilização, e o dia ainda deve ter alguma volatilidade."