Para combater recessão, Hong Kong doará US$ 1.280 para 7 milhões de pessoas


14 de março de 2020 às 15:28
Homem com suspeita de coronavírus é transportado para hospital de Hong Kong

Paciente suspeito de infecção por coronavírus é transferido em hospital em Hong Kong

Crédito: cnsphoto via REUTERS-23/01/2020

CNN – O governo de Hong Kong dará US$ 1.280 para quase todos os seus moradores para tentar conter a queda brusca de sua economia, afetada pelos meses de protestos contra a administração local e pelo surto de coronavírus.

O centro financeiro asiático anunciou a medida nesta quarta-feira (26) – pilar de um pacote de estímulo de 120 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 15,4 bilhões) – que envolve doar 10 mil dólares de Hong Kong (cerca de US$ 1.280) a todos os residentes permanentes da cidade com mais de 18 anos. Cerca de sete milhões de pessoas serão beneficiadas pelo programa.

O secretário de Finanças de Hong Kong, Paul Chan, também alertou para a previsão de que a cidade registre seu primeiro déficit orçamentário em 15 anos em razão da recessão iniciada no terceiro trimestre de 2019.

Chan disse que a situação deve piorar e que o déficit no próximo ano fiscal, que fechará em março de 2021, deve atingir o recorde de 4,8% do PIB da cidade.

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Crédito: Heo Ran / Reuters

“A economia de Hong Kong enfrenta enormes desafios este ano”, disse o secretário. “As perspectivas estão longe de ser promissoras no curto prazo”, completou.

Durante uma apresentação orçamentária, o secretário afirmou que a economia de Hong Kong foi "arrastada por uma série de ventos contrários" ao longo do ano passado, incluindo os meses de protestos em massa contra o governo, a disputa comercial ainda em andamento entre EUA e China e a desaceleração da economia global.

Estas questões, segundo Chan, foram cruciais para Hong Kong entrar em recessão – a economia local encolheu 1,2% em 2019, em seu primeiro declínio desde a crise global de 2008.

Agora, a cidade é afetada pelo coronavírus, “que já causou severos danos às atividades econômicas em Hong Kong”, disse o secretário ao Conselho Legislativo – órgão equivalente a uma Câmara de Vereadores.

Parte do dinheiro que será usado neste pacote econômico virá de um fundo especial que foi estabelecido quando o governo percebeu a deterioração econômica e das condições de trabalho como resultado do surto da doença, informou o secretário.

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Crédito: China Daily via REUTERS-16/02/2020

Além dessa doação de dinheiro para os cidadãos, o governo também cortará o imposto sobre a renda de parte dos residentes permanentes – a expectativa é que a medida impacte 2 milhões de contribuintes. 

As autoridades também planejam dar os residentes de baixa que morem em habitações públicas um mês de aluguel grátis, além de fornecer um subsídio único para 200.000 famílias carentes.

Projeção para o próximo ano

Para Terence Chong, professor de economia da Universidade Chinesa de Hong Kong, o déficit previsto para o próximo ano fiscal “é maior do que a muitas pessoas esperavam”. 

Mas ele afirmou que é muito provável que Hong Kong tenha capacidade para minimizar o impacto, já que mantém uma reserva financeiro segura – cerca de US$ 145 bilhões em reservas fiscais.

“Esse déficit na verdade não será um grande desafio. Temos formas de recuperar esse dinheiro, então não estou tão preocupado com isso”, afirmou.

Hong Kong tenta impulsionar sua economia há meses. O governo já implementou várias rodadas de estímulos no valor de mais de 30 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 3,9 bilhões).

Apesar dos desafios em curso, Chan disse que acredita que a economia poderá se recuperar a longo prazo.

"Embora o impacto da epidemia em nossa economia no curto prazo possa ser maior do que o surto de Sars em 2003, os fundamentos econômicos de Hong Kong permanecem sólidos", disse o secretário. "A economia de Hong Kong deve se recuperar assim que a epidemia terminar."