Como preparar as crianças para os trabalhos do futuro


Temujin Doran e Nell Lewis Do CNN Business, em Londres
15 de março de 2020 às 15:08

A sala de aula de hoje está muito longe da imagem tradicional de carteiras, lousas e lápis. Com a expectativa de que a educação prepare as crianças para um ambiente de trabalho digital em constante e rápida mudança, o aprendizado orientado pela tecnologia está se tornando a regra e as crianças talvez possam estar programando antes de saberem ler ou escrever.

primo

Cubetto está sendo usado por escolas e pais para ensinar programação a crianças a partir de três anos (23.abr.2018)

Foto: Primo/Divulgação

Como resultado, os gastos globais em tecnologia educacional estão crescendo. É esperado que eles dupliquem a US$ 341 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão) entre 2018 e 2025, de acordo com a empresa de dados e pesquisas HolonIq.

"Estamos perguntando aos jovens o que eles querem ser quando crescerem, quando talvez mais da metade das tarefas profissionais e setores nos quais eles poderão trabalhar ainda não foram inventados", diz Heather McGowan, estrategista de trabalho futuro que ajuda a preparar pessoas e organizações para a Quarta Revolução Industrial, que verá o mundo reformatado pela inteligência artificial, robótica e outros avanços tecnológicos.

Um relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que 65% das crianças que entraram na escola primária em 2017 terão trabalhos que ainda não existem e para os quais sua educação não será capaz de prepará-las.

A educação deve se adaptar de acordo. McGowan acredita que isto significa menos foco na transferência de conhecimento e mais na habilidade de aprender por si mesmos.

"O conhecimento fundamental do futuro é sua habilidade de aprender e se adaptar, porque se você não fizer isso, sua carreira terá uma interrupção brusca depois de alguns anos", diz ela.

Ferramentas para o futuro

Esta nova era da educação também requer um novo conjunto de ferramentas. Vejamos Cubetto, um pequeno robô de madeira que se move sobre uma prancha quando uma criança insere blocos com comandos como esquerda, direita ou adiante em uma base conectada.

O kit Cubetto, que custa US$ 225 (cerca de R$ 960), está sendo usado por escolas e pais para ensinar programação a crianças a partir de três anos.

"É uma competência que você pode aplicar a qualquer coisa: basicamente, você aprende a pensar de maneira bem lógica e racional", diz Filippo Yacob, fundador e CEO da Primo, fabricante de brinquedos que desenvolveu o Cubetto.

"Para nós, trata-se de tornar as crianças preparadas para o futuro", acrescenta.

Entretanto, a efetividade dessas ferramentas depende de manter a atenção de uma criança pequena.

"Precisa ser uma coisa divertida e lúdica, não apenas lição de casa", diz Alex Klein, CEO e fundador da Kano, empresa de tecnologia educacional.

O carro chefe da companhia, o kit de computador Kano, permite que você faça seu próprio computador ou tablet. Os alunos seguem um guia passo-a-passo para conectar as partes e quando o dispositivo está pronto e funcionando eles podem brincar em vários aplicativos, desde aprender a programar até criar músicas e jogos.

"A Kano oferece oportunidades de mudanças de paradigma para ensinar ciência da computação", diz Allen Tsui, professor de uma escola em Londres que usa o dispositivo. "Também permite oportunidades de aprendizado baseadas em projetos para ampliar competências de colaboração, criatividade, comunicação e pensamento crítico."

No Reino Unido, educadores estão acolhendo o uso da tecnologia. De acordo com um levantamento da Promethean, 54% dos professores estão usando tecnologia educacional este ano, e 94% reconhecem que ela pode melhorar o envolvimento dos estudantes.

Não só para ensinar

A tecnologia não está apenas ajudando a ensinar crianças, também está criando um ambiente de aprendizagem melhor.

As empresas dinamarquesas Velux e Leapcraft têm trabalhado juntas para introduzir sensores na sala de aula. Elas desenvolveram a Ambinode, uma pequena caixa branca que monitora barulho, temperatura, partículas de ar e níveis de gás carbônico.

Os dados são então enviados a um aplicativo de smartphone, para que um professor ou administrador possa monitorar o ambiente e garantir que esteja o mais confortável e produtivo possível.

Um relatório da Universidade de Salford descobriu que fatores físicos como luz natural, temperatura e qualidade do ar podem aumentar o progresso da aprendizagem de alunos da escola primária em até 16% por ano.

"O perigo, se você não fizer isso direito, é que as crianças sejam realmente prejudicadas em seu aprendizado e que isso esteja minando seus esforços para progredir academicamente", diz o professor Peter Barrett, que conduziu o estudo.