Setor aéreo não quer subsídio, diz Abear em resposta a Guedes


Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  do CNN Brasil Business, em São Paulo
15 de março de 2020 às 19:08 | Atualizado 15 de março de 2020 às 19:52

O setor aéreo não está pedindo subsídios ao governo e gostaria apenas de uma ação para dar alívio temporário ao caixa diante da rápida deterioração das condições do mercado aéreo global. A afirmação foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, em resposta à entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes ao CNN Brasil Business

Pessoas usam máscaras protetoras no aeroporto do Rio de Janeiro

Pessoas usam máscaras protetoras ao desembarcarem no Aeroporto do Galeão, no Rio (06.mar.2020)

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

“As medidas que estão sendo debatidas com o governo não implicam em nenhum tipo de recurso público para as companhias aéreas”, disse o presidente da entidade. O setor, segundo ele, discute com o Ministério da Infraestrutura a hipótese de adiamento temporário no pagamento de algumas taxas e tarifas, como PIS/Cofins sobre a querosene de aviação e a tributação incidente sobre o aluguel dos aviões. “Pedimos seis meses (de carência) e a proposta que o governo estava desenhando era de três meses”, disse. Sanovicz comentou ainda que o governo acenou também com a possibilidade de linhas de crédito emergenciais para o setor. 

O coronavírus, segundo ele, teve efeito devastador sobre o setor aéreo. “A demanda internacional já caiu 50% e a demanda nacional, 30%. Isso tem um efeito devastador sobre o caixa das companhias”, disse. “É a pior crise da aviação desde a década de 1940, quando o setor se organizou globalmente”. 

Questionado sobre eventual impacto da não ajuda estatal, Sanovicz diz que “basta olhar para o que acontece no mundo”. “A Flybe fechou as portas, a norueguesa Norwegian anunciou plano de demitir metade do pessoal, a British Airways luta pela sobrevivência e a American Airlines cortou drasticamente voos, inclusive todos para o Brasil. É isso o que pode acontecer”.