Chance de recessão global aumenta com coronavírus; veja a reação dos países


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
16 de março de 2020 às 10:44 | Atualizado 16 de março de 2020 às 10:48

Depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto do novo coronavírus como uma pandemia, os impactos econômicos causados pela doença tomaram uma proporção ainda maior. Ao mesmo tempo, uma guerra comercial entre Rússia e Arábia Saudita colabora para a instabilidade dos mercados financeiros ao redor do mundo. Agora, os países correm para reduzir os danos. 

Especialistas apontam o risco de uma recessão global. Prova disso é o derretimento dos mercados ao redor do planeta, o preço do petróleo despencando e a moeda americana, considerada reserva de valor, valoriza em ritmo exponencial. Não por acaso, empresas e investidores pressionam governos no mundo todo em busca de socorro nas políticas fiscais e monetárias.

bolsa xangai

Homem de máscara caminha pela Bolsa de Xangai (28.fev.2020)

Foto: Aly Song/Reuters

No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) acaba de anunciar um pacote de medidas para favorecer o crédito, no valor de R$ 3,2 trilhões. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve decidir, em reunião extraordinária, por mais um corte na taxa de juros, que hoje está em 4,25% e pode cair ao patamar histórico de 3,75%.

Já nos Estados Unidos, o movimento foi ainda mais agressivo. Em uma ação histórica, o banco central do país, o Federal Reserve (Fed), baixou a taxa de juros para 0%, com margem até 0,25%. O Fed não anunciava uma ação tão drástica quanto essa desde o auge da crise financeira de 2008. 

Foi a segunda vez na semana que a instituição tomou medidas para conter a crise. Poucos dias atrás, o banco havia prometido injetar mais de 1 trilhão de dólares no mercado americano, ao longo do mês, mas a reação conseguiu apenas desacelerar as quedas por pouco tempo. 

A decisão veio após quedas históricas nas bolsas americanas. Logo após o presidente Donald Trump suspender a entrada de pessoas vindas da Europa para o país, Wall Street registrou seu pior dia desde a crise de 1987, na quinta-feira (12). O resultado colaborou para que Trump decretasse estado de emergência no dia seguinte, sexta-feira (13), e liberasse 50 bilhões de dólares em recursos federais para combater o coronavírus.

A União Europeia também tomou medidas para conter danos depois de sofrer o pior dia já registrado na história de seus mercados financeiros, na quarta-feira (11). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen anunciou que o bloco deve aumentar os gastos com as empresas dos setores mais afetados pela crise. 

Numa revisão de sua proposta anterior, que fixava o desembolso de € 25 bilhões, a instituição sugeriu um aporte ainda maior de socorro para as empresas, de € 37 bilhões. Na decisão, semelhante à que foi tomada durante a crise de 2008, a Comissão também afrouxou as normas orçamentárias do bloco, permitindo que os países aumentem suas dívidas.

Quem se beneficia da medida são nações como a Itália, uma das mais afetadas pela pandemia, que colocou praticamente toda sua população em quarentena. O primeiro-ministro Giuseppe Conte já havia anunciado um aumento nos gastos com empresas e estímulo ao consumo das famílias, na quantia de € 25 bilhões —valor que ultrapassava o teto de 3% do PIB anteriormente estabelecido pelas regras da UE. 

Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou a compra de títulos para apoiar a economia interna, mas não derrubou as taxas de juros, como os investidores esperavam. 

Ásia em foco

Na Ásia, os países também se movimentaram para socorrer seus mercados. O Banco Popular da China (BPOC) anunciou, na sexta-feira (13), um corte nas reservas compulsórias, visando a liberação de 550 bilhões de renminbis — aproximadamente R$ 380 bilhões — em empréstimos. Além disso, ainda houve um corte na taxa de juros.

O governo chinês, por sua vez, garantiu a destinação de 110 bilhões de renminbis para combater a epidemia. Outra medida foi a flexibilização das normas ambientais aplicadas à indústria, que agora terá mais prazo para corrigir esse tipo de problema.

Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), o banco central anunciou, no sábado (14), um plano econômico de 100 bilhões de dirham — o equivalente a R$ 131 bilhões. Metade desta quantia será distribuída através de empréstimos a custo zero. O país do golfo registra, por enquanto, 85 infectados.

Enquanto isso, o Japão lançou um segundo pacote de gastos no valor de R$ 19 bilhões para lidar com as consequências do surto da doença. O banco central do país também deve se reunir ao longo da semana para expandir medidas de estímulo à liquidez. A instituição deve favorecer o crédito a empresas, para evitar dificuldades neste fim de ano fiscal.

Segundo autoridades indianas, o Banco da Reserva da Índia (RBI) também planeja injetar verbas no sistema financeiro por meio de operações compromissadas de longo prazo. Os valores liberados devem chegar a 1 trilhão de rúpias — ou R$ 66 bilhões — na rodada que começa em abril.

(com informações da Reuters)