Dólar bate novo recorde e fecha a R$ 5,19 mesmo com intervenção do BC


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de março de 2020 às 09:28 | Atualizado 18 de março de 2020 às 17:11

O dólar fechou em forte alta contra o real nesta quarta-feira (17) e renovou recorde nominal (sem contar a inflação) mais uma vez, mesmo após intervenção do Banco Central. Os investidores continuam receosos sobre o impacto econômico do coronavírus e à espera da decisão de política monetária do Copom.

A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 3,9%, a R$ 5,1976 na venda. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,2384, também novo pico histórico durante as negociações.

Mais uma vez o pregão foi marcado por uma onda global de aversão a risco, num momento em que a pandemia de coronavírus força governos a impor quarentenas generalizadas, gerando interrupções de produtividade que podem levar a economia mundial a uma recessão.

"Isso está dentro do contexto", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. "Os mercados estão absolutamente estressados no mundo inteiro; os investidores estão tirando recursos de países emergentes."

"Enquanto não houver todo um arcabouço de medidas em todos os países pra ajudar a economia e enquanto não tiver uma desaceleração da curva de contágio, os investidores continuarão se refugiando no dólar."

Calamidade pública e dúvida sobre juros

No Brasil, agravando a ansiedade, o governo anunciou na terça-feira que vai pedir ao Congresso o reconhecimento de estado de calamidade pública devido à pandemia e seus impactos na saúde dos brasileiros e na economia do país.

Ao mesmo tempo, os mercados aguardavam a decisão de política monetária do Copom, que será anunciada nesta quarta-feira, com ampla expectativa de corte da taxa Selic a nova mínima histórica.

"Na parte dos juros, é um consenso de que o Copom deverá reduzir a taxa Selic nesta quarta-feira. A decisão mais provável é de um corte de meio ponto percentual, com uma nova baixa de 0,25 ponto percentual na reunião de maio", disse em nota a Levante Investimentos.

Nesta semana, o UBS previu corte ainda mais agressivo da taxa básica de juros brasileira, de até 1 ponto percentual.

A redução constante da Selic nos últimos meses vem sido apontada como fator importante para a desvalorização acentuada do real. O menor diferencial de juros entre o Brasil e outros países torna alguns rendimentos atrelados à Selic menos interessantes para investidores estrangeiros, o que prejudica o fluxo de dólares no mercado local.

Intervenção do BC

Em meio ao estresse e cautela generalizados, o Banco Central do Brasil marcou presença nos mercados de câmbio nesta quarta-feira.

Num intervalo de cerca de 1h30, a autarquia realizou leilões de linha com compromisso de recompra, em que vendeu US$ 2 bilhões, dois leilões de moeda spot (à vista), totalizando venda de US$ 830 milhões, e anunciou compra de títulos soberanos em dólar com compromisso de recompra, visando "garantir o bom funcionamento dos mercados".

"Acho o BC vai continuar atuando", opinou Bandeira, do Modalmais, dizendo que será necessário esperar para sentir o impacto das medidas da autarquia sobre a força do dólar.

A alta do dólar arrefeceu levemente, de mais de R$ 5,20 a cerca de R$ 5,15 logo após o resultado do segundo leilão de dólar à vista, mas a cotação voltou a subir durante a tarde.