Dólar cai 1,8%, a R$ 5,10, com ajuda do Banco Central e Fed

Parte de um acordo com 9 países, o banco central norte-americano irá emprestar até US$ 60 bilhões ao BC brasileiro

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
19 de março de 2020 às 09:15 | Atualizado 19 de março de 2020 às 21:04
Após anúncio de queda na Selic, dólar futuro abre em alta de 1,52% na quinta-feira (19)
Foto: Guadalupe Pardo/Reuters (14.10.2015)

O dólar caiu 1,8% na sessão desta quinta-feira (19), e fechou cotado a R$ 5,104, após disparada a novo recorde na sessão anterior. 

No fim das negociações da quarta-feira (18), a moeda americana fechou em forte alta contra o real e fechou a R$ 5,197, o maior valor da história em termos nominais (sem considerara a inflação).

Ajudou para a queda a intervenção do Banco Central nos mercados e o anúncio de linhas de swap de dólar do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, com diversos bancos centrais do mundo, incluindo o Brasil. Pelo acordo, o Fed irá emprestar até US$ 60 bilhões ao BC brasileiro

O banco central dos Estados Unidos abriu as torneiras para que bancos centrais em 9 países tenham acesso a dólares na expectativa de impedir que a epidemia de coronavírus cause uma crise econômica global.

O Fed disse que os swaps, em que o banco central norte-americano aceita outras moedas como garantia em troca de dólares, permitirá pelo menos pelos próximos seis meses que os bancos centrais de Austrália, Brasil, Coreia do Sul, México, Cingapura, Suécia, Dinamarca, Noruega e Nova Zelândia acessem um total combinado de até US$ 450 bilhões, dinheiro que vai garantir que o sistema financeiro dependente de dólares continue a funcionar.

Ao mesmo tempo, o BC voltou a intervir no câmbio em tentativa de frear a disparada descontrolada da moeda norte-americana. A autarquia realizou nesta quinta-feira duas ofertas de leilões de linha com compromisso de recompra de até US$ 2 bilhões cada uma, além de venda de até 500 milhões de dólares em moeda à vista.

"O BC, com sua política cambial, busca muito mais amortecer (a alta do dólar) do que controlar os mercados", disse à Reuters Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset. "A política atual do BC é deixar o câmbio livre. Eles agem para evitar uma exacerbação: dar liquidez na medida do possível."

*Com Reuters