Mercado financeiro seguirá aberto, mesmo com a quarentena em SP


Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
21 de Março de 2020 às 21:33 | Atualizado 21 de Março de 2020 às 22:01
Pessoas olham o painel da B3 em dia de interrupção dos negócio (circuit breaker)

Parcela de mulheres tem crescido na Bolsa de São Paulo, mas montante representa só 24% atualmente

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

É fim de semana, o mercado financeiro está fechado, mas o pânico se abateu novamente sobre gestores e investidores ao ouvirem o decreto do governador de São Paulo, João Doria, colocando o estado sob quarentena por duas semanas. Ao citar “ bancos”  como serviços essenciais, ou seja, que estão fora das restrições, Doria não deixou claro se alcançava o mercado de capitais. 

Os telefones passaram a tocar loucamente na B3 – bolsa de valores que funciona em São Paulo e na Anbima – entidade que representa a indústria de fundos de investimento, em busca de uma única resposta: o mercado vai abrir normalmente na próxima segunda-feira? A resposta demorou um pouco a chegar, mas é sim. 

Passado o barata-voa, todos encontram no decreto editado pelo governo federal a citação explícita dando conta de que “ mercados de capitais” são considerados atividades essenciais e, portanto, não podem ser afetados por nenhuma decisão dos entes subnacionais que queiram proteger seus cidadãos do contágio do COVID-19. 

O receio de que, em algum momento, o mercado pudesse ser suspenso começou a aparecer durante a semana. O ditado é danado e na infodemia que nos acomete, ele fica mais forte: “nada se espalha com mais rapidez do que um boato”. Cresceu entre operadores o boato de que seria a própria B3 que estaria pressionando o governo para decretar o fechamento das negociações, um feriado bancário, qualquer coisa que estancasse a sangria da poupança de muitos investidores.  

Quem tem canal direto com os executivos que comandam a bolsa e as entidades do mercado conta que ouviu um sonoro “nem pensar” mais de uma vez. São tempos inéditos, dramáticos e sem previsão de desfecho, por isso duvidar de tudo está mais do que em linha com o clima de incerteza geral. 

O calmante oficial chegou na tarde deste sábado com uma Nota Oficial da Comissão de Valores Mobiliários, o xerife dos mercados aqui no Brasil, desmentindo tudo e avisando que toda e qualquer comunicação sobre o setor financeiro será “sempre” tratada pelos canais oficiais do órgão. Colo aqui a íntegra do comunicado da CVM.  

Confira a íntegra do comunicado

Coronavírus: informações a respeito do funcionamento da Bolsa de Valores/B3
CVM esclarece que, neste momento, não há qualquer discussão envolvendo interrupção de negócios. Procedimentos seguem inalterados.

 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informa que não há, neste momento, nenhuma discussão relacionada a interrupção de negócios realizados em Bolsa. Tampouco existe a suposta "pressão" desta Autarquia junto à B3 para que as atividades realizadas pela instituição sejam interrompidas.

A CVM esclarece que a B3, como administradora de mercado, é instituição regulada por esta Autarquia por meio da Instrução CVM 461. Cabe à B3, nos termos do disposto no art. 110, § 4º, da referida Instrução, seguir, também, as recomendações e princípios formulados pelo Comitê sobre Sistemas de Pagamentos e Liquidações (CPSS) e pela Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários (OICV-IOSCO).

Cabe ainda ressaltar que é dever da B3 possuir Planos de Continuidade de Negócios e Contingência para os mais diversos e adversos cenários possíveis. Por sua vez, é papel da CVM atuar para que a regulação e os princípios vigentes sejam observados.

Por fim, a CVM informa que comunicações a respeito de assuntos que estejam na esfera de competência desta Autarquia estão sendo – e serão sempre – divulgadas pelos canais oficiais e por meio do site institucional.