Conheça os CDBs de melhor rendimento. Spoiler: eles estão longe dos bancões


Luísa Melo Do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de março de 2020 às 12:51
Notas de real

Dinheiro: CDBs de bancos pequenos e médios rendem mais porque são mais arriscados

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em tempos de coronavírus e bolsas extremamentes voláteis, mesmo com os juros baixos, a renda fixa deixou de ser patinho feio e retornou ao radar dos investidores. Nesse universo de produtos seguros, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um dos queridinhos e opções para investir nele não faltam. 

O CDB é oferecido pelos bancões tradicionais, caso de Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander, e também por instituições médias espalhadas pelo Brasil.

Mesmo com a febre das fintechs e dos bancos digitais, os bancos tradicionais não foram deixados de lado pelos brasileiros. Pesquisa realizada pela aceleradora Venture Builder mostra que apenas 6% dos entrevistados concentram seu dinheiro em fintechs – 52% só tem conta nos bancões e 42% utilizam os serviços de ambos, mas preferem deixar a maior parte dos recursos nas instituições tradicionais.

O investimento mínimo em CDB é de R$ 1, mas cada instituição estabelece o piso que quiser para seus produtos e muitas exigem aportes de pelo menos R$ 500.

Mas é importante deixar claro que, quando se trata de CDBs, os que pagam melhor estão bem longe dos bancões. É o que mostra um levantamento realizado pelo buscador de investimentos Yubb a pedido do CNN Brasil Business.

Nele, o Yubb comparou os CDBs mais rentáveis no mercado com outros produtos de renda fixa. Mesmo após descontada a alíquota do imposto de renda,há CDBs de mais longo prazo com rendimentos acima dos de outros produtos isentos de tributação, como algumas Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCAs e LCIs). Os ganhos chegam a ultrapassar 7% ao ano, sem considerar a inflação. Veja a lista abaixo:

O levantamento considerou os títulos de renda fixa (CDB, LCI e LCA) disponíveis em plataformas digitais voltadas ao varejo (oferecidos a pessoas físicas) no dia 24 de março de 2020. As variáveis de correção dos investimentos foram projetadas. Para a taxa DI, foram consideradas as cotações do DI futuro negociado pelos mercados na data do levantamento e, para o IPCA, foram usadas as projeções do último boletim Focus. 

Cadê os bancões?

Para quem não conhece o mercado, pode parecer uma surpresa que os CDBs mais rentáveis não sejam emitidos por nenhum dos maiores bancos de varejo do país. Mas isso é comum e tem uma razão.

O CDB, assim como outros produtos, é usado pelos bancos para levantar dinheiro para emprestar aos clientes (e ganhar com os juros depois). Mas ao contrário de outros, esse instrumento de captação é flexível e não exige destinação obrigatória para um determinado setor – os recursos captados com LCAs, por exemplo, têm que ser usados para financiar projetos do agronegócio, e os das LCIs precisam ser direcionados ao mercado imobiliário. 

“Quando você compra um CDB, não é possível saber o que o banco vai fazer com esse dinheiro. Ele pode usar para qualquer coisa. Por isso, é um instrumento de captação fácil, além de barato”, afirma Bernardo Pascowitch, fundador do buscador do Yubb.

E justamente por isso esse produto é tão popular entre os gerentes: ele é interessante para os bancos.

Acontece que, por serem mais conhecidos, terem muitos clientes e grande capilaridade, com agências por todo o país, os bancões não precisam fazer muito malabarismo para captar recursos. Do outro lado, o investidor que financia as grandes instituições assume menos risco porque elas têm maior capacidade de pagamento do que as pequenas – e quanto menos arriscado, menos o produto rende.

“Por que os bancos médios pagam mais? Porque precisam de alguma forma ter algum chamariz para atrair o investidor. O banco médio tem um esforço maior para captar”, diz Pascowitch. 

Mas o fato de a instituição ser pequena não significa que não é recomendado investir no CDB que ela vende. É claro que é importante pesquisar e conhecer o emissor do título sempre, mas investimentos desse tipo até R$ 250 mil são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).Quer dizer que, se o banco quebrar, o investidor que tiver até essa quantia aplicada (incluindo o montante inicial e o rendimento bruto) receberá os valores de volta. 

Nas últimas vezes em que isso aconteceu, a devolução levou algumas semanas. Um mês após a liquidação financeira do Banco Neon pelo Banco Central, em 2018, mais de 80% dos clientes já tinham sido cobertos, por exemplo.

O limite protegido por CPF é de R$ 1 milhão, sendo R$ 250 mil por instituição. Há, inclusive, instituições que usam a garantia do FGC como propaganda na hora de vender seus produtos.

Os especialistas lembram, porém, que nunca é aconselhável investir todo o dinheiro em um único produto, ainda que seja de renda fixa. A recomendação é sempre diversificar.

“É muito importante que a pessoa aprenda a fazer diversificação. Colocar um pouco em renda fixa, fundo multimercado, alguma coisa em previdência. Não existe investimento que não vale a pena”, alerta Myrian Lund, planejadora financeira e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV). E para o investidor conservador, o CDB dificilmente vai sair de moda.