Dólar cai 0,75% e fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em 2 semanas


Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
26 de março de 2020 às 09:10 | Atualizado 26 de março de 2020 às 17:24
Mulher passa em frente a casa de câmbio em São Paulo

Mulher passa em frente a casa de câmbio em São Paulo (05.mar.2020)

Foto: Rahel Patrasso/Reuters

Após abrir a sessão desta quinta-feira (26) em alta, o dólar reverteu a tendência no final da manhã e fechou o dia em queda, em meio a um cenário de melhora também nos mercados internacionais. 

A moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,75%, cotada a R$ 4,996 na venda, no terceiro dia seguido de queda. Foi também a primeira vez que o dólar voltou a fechar abaixo da marca dos R$ 5 em duas semanas – algo que não acontecia desde 13 de março, quando a moeda estava valendo R$ 4,812. 

No Brasil, o mercado amanheceu com a notícia de que o Banco Central revisou o crescimento do PIB brasileiro para este ano a 0%. O alívio no câmbio, entretanto, acompanhou o tom de otimismo global nos mercados nesta quinta-feira, após o Senado americano ter aprovar pacote histórico de US$ 2 trilhões em ajuda contra os impactos do coronavírus. As principais bolsas de valores - incluindo a brasileira - também tiveram um dia de altas.

A redução no câmbio acontece também a despeito dos dados divulgados de emprego divulgados hoje nos Estados Unidos. As dispensas dispararam com a crise do coronavírus - os pedidos de auxílio-desemprego no país subiram para o recorde histórico de 3,28 milhões na última semana. O recorde anterior era de 695 mil, de 1982, de acordo com o Departamento do Trabalho do país.

Para alguns analistas, entretanto, o baque no emprego pode significar nova onda de estímulos na luta contra o impacto econômico do coronavírus.“A expressão ‘quanto pior, melhor’ pode explicar a terceira alta consecutiva do mercado”, afirmou o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, em análise aos clientes. 

“O recorde histórico de pedidos de auxílio desemprego nos EUA elevou a expectativa por novas medidas de estímulos por parte do Fed [o banco central norte-americano]. Questionado sobre isso nesta quinta, Jerome Powell [chairman do Fed] afirmou que a instituição não vai ficar sem munição e que o BC norte-americano está criando novas pontes para incentivar o fluxo de crédito e incentivar empréstimos para as empresas”, disse ele.

*Com Reuters