A conta para salvar a economia global está em US$ 7 trilhões, por enquanto


Julia Horowitz Do CNN Business, em Londres
27 de março de 2020 às 14:23
5ª Avenida

Homem atravessa 5ª Avenida, uma das mais movimentadas de Nova York, completamente vazia (25.mar.2020)

Foto: Mike Segar/Reuters

Estados Unidos, Europa, Japão, China e Índia estão gastando trilhões dólares em dinheiro “recém-criado” enquanto tentam, desesperadamente, evitar que a economia global entre em depressão. 

A resposta à pandemia do coronavírus é algo sem precedentes em relação à velocidade e ao volume de investimentos. Promessas feitas por governos e bancos centrais até a data se aproximam da marca de US$ 7 trilhões, segundo aponta análise do CNN Business. O total inclui gastos governamentais, garantias de empréstimo e isenção/redução de impostos, além da impressão de dinheiro por parte dos BCs para compra de ativos como fundos de títulos e de ações.

Este total inclui o pacote de estímulos americano, no valor de US$ 2 trilhões, que foi aprovado pelo Senado na última quinta-feira (26), e um conjunto de medidas avaliadas em ¥ 30 trilhões, ou US$ 274 bilhões, que podem ser aprovadas em abril no Japão. Da Europa, o CNN Business reuniu os gastos das maiores economias locais: Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha. 

Os valores já superam os esforços governamentais feitos durante a crise de 2008, que por sua vez já tinham aniquilado os recordes anteriores. De todo modo, economistas temem que nem este trabalho hercúleo realizado até aqui será suficiente se a crise se estender para além de junho.   

“O pacote de estímulos (de US$ 2 tri) é provavelmente o mínimo necessário para compensar o arrasto econômico gerado pelo surto”, disse o economista do Bank of America, Joseph Song, a clientes na quinta-feira. “A economia vai precisar de um valor próximo a US$ 3 trilhões em estímulos fiscais, se não mais.”

A última vez que a economia global esteve em níveis tão altos de depressão durante tempos de paz foi em 1938, de acordo com Chetan Ahya, economista-chefe da Morgan Stanley.

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Líderes do G20, que representa as maiores economias do mundo, disseram na quinta que estão prontos para fazer “o que for preciso” para minimizar o dano econômico causado pela pandemia e restabelecer o crescimento global.

“A magnitude e o foco dessa resposta vão colocar a economia global de pé outra vez e criar uma base forte para proteção de postos de trabalho e a recuperação do crescimento”, disseram os líderes em um pronunciamento conjunto após videoconferência. Eles dizem que os países se comprometeram a entregar estímulos no valor de US$ 5 trilhões.

Ainda assim, o amplo gasto pode apenas cegar parte da dor econômica. Enquanto benefícios de seguro-desemprego e renda mínima devem prover uma ajuda muito necessária, a economia não vai começar a se recuperar enquanto bares e restaurantes não reabrirem e as pessoas voltarem às suas rotinas de trabalho e viagem. E, de qualquer forma, vai levar tempo, como a China está descobrindo agora.

“Não vai ser possível voltar para o mesmo nível de atividade e resultado imediatamente”, Ahya diz, apontando os efeitos prolongados de um grande pico de desemprego e de balanços corporativos destroçados. 

Abaixo, algumas das maiores iniciativas de governos e bancos centrais até aqui.

Estados Unidos

O Senado americano americano aprovou um pacote de estímulos de US$ 2 trilhões. A lei inclui pagamentos diretos a pessoas, uma melhora nos benefícios de seguro-desemprego e um programa de US$ 500 bilhões voltado para empréstimos.

Legisladores já haviam aprovado mais de US$ 112 bilhões para impulsionar pesquisas de vacinas e conceder duas semanas de baixa médica paga a quem estiver sendo testado ou tratado para COVID-19.

O Fed também soltou “um tsunami” de estímulos nos últimos dias. Isso inclui um comprometimento inicial de comprar US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano e outros garantidos em hipotecas, que agora deixou de ter limite de investimento e pode incluir papéis de empresas e fundos de índice (ETFs). O BC americano anunciou ainda US$ 300 bilhões em novos financiamentos para manter crédito fluindo para negócios e consumidores. 

Reino Unido

O governo britânico liberou £330 bilhões (US$ 397 bilhões) em garantias de empréstimos e suspendeu, para negócios locais, impostos nas áreas de varejo, hotelaria e lazer durante os próximos 12 meses. Além disso, o Estado vai cobrir 80% dos salários de trabalhadores por pelo menos três meses, pagando até £ 2.500 (US$ 2.900) por mês. O preço desta iniciativa ainda é incerto.

Na quinta-feira (26), o governo prometeu ainda conceder aos autônomos 80% da sua média mensal de vencimentos, alcançando valores de até £ 2.500 (US$ 3.000) por mês no próximo trimestre.

O Banco da Inglaterra disse que utilizará £ 200 bilhões (US$ 242 bilhões) para comprar títulos do governo e de empresas.

União Europeia

A Alemanha anunciou um pacote de resgate no valor de € 750 bilhões (US$ 825 bilhões) que inclui medidas de empréstimo para negócios e compra de participação em empresas.

Já na França, foi aprovado um socorro de € 45 bilhões (US$ 50 bilhões) para pequenos negócios e trabalhadores desempregados. O Estado também garantiu € 300 bilhões (US$ 330 bilhões) para empréstimos a grandes empresas.

A Itália deu luz verde a um estímulo de € 25 bilhões (US$ 27.5 bilhões) para ajudar trabalhadores e fortalecer o sistema de saúde do país, enquanto a Espanha deve desembolsar € 200 bilhões (US$220 bilhões).

O Banco Central Europeu confirmou que irá gastar € 750 bilhões (US$ 824 bilhões) comprando papéis de dívida dos governos e seguradoras privadas até o fim de 2020 e se diz preparado para fazer mais caso necessário. A casa já havia anunciado € 120 bilhões (US$ 133 bilhões) em compras de títulos.

China

Até agora, a China já comunicou pelo menos CN¥ 116,9 bilhões (US$ 16,4 bilhões) em alívios financeiros e estímulos, mais CN¥ 800 bilhões (US$ 112,5 bilhões) em reduções de impostos e taxas. Se necessário, o país pode muito bem gastar trilhões de dólares e absorver grandes quantidades de dívidas para fortalecer sua economia.

O Banco Popular da China adotou várias medidas de facilitação de crédito, alocando ao menos CN¥ 1,15 trilhões (US$162 bilhões) para ajudar companhias atingidas pelo vírus.

Japão

Espera-se que o governo japonês considere um pacote de estímulos nas próximas semanas que deve incluir alguma forma de concessão de dinheiro para a população e medidas para ajudar pequenas e médias empresas a conseguir empréstimos. O esforço pode chegar a ¥ 30 trilhões (US$ 274,2 bilhões).  

O Banco do Japão se comprometeu a aumentar a sua cota anual de compras de ETFs em ¥ 6 trilhões (US$ 55 bilhões) e a de fundos de investimento imobiliário em ¥ 90 bilhões (US$ 822 milhões). Também levantou o limite de compras de papéis comerciais e títulos privados em ¥ 2 trilhões (US$ 18 bilhões). 

Índia 

O governo indiano foi rápido e anunciou um pacote de US$ 22,6 bilhões apenas 36 horas após o fechamento de fronteiras ser imposto por lá. A ajuda inclui assistência de saúde e alimentícia, além de subsídios e benefícios para trabalhadores.