Com economia em crise, empresas privadas passam a produzir e doar álcool gel


Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
28 de março de 2020 às 08:14
Fábrica de perfumes da Natura em Cajamar, São Paulo

Funcionária da fábrica da Natura; linha de produção de maquiagens e perfumaria será paralisada temporariamente para fabricação de álcool em gel e líquido

Foto: Divulgação

Na medida em que a economia desaquece e a demanda industrial acentua os sinais de queda, empresas do setor privado empenham sua mão-de-obra e estrutura em campanhas de combate ao coronavírus. Entre as iniciativas, estão a produção de materiais, equipamentos médicos e EPIs, além do oferecimento de serviços de logística ao poder público.

Em sua maioria, as fábricas se dedicam à produção do álcool em gel, produto recomendado pelas autoridades de saúde na higienização das mãos. O item rapidamente se esgotou nas prateleiras de farmácias e supermercados após a notícia dos primeiros casos de coronavírus no Brasil. Mesmo em alguns hospitais públicos, o insumo está em falta.

Grandes companhias do setor de higiene e cosméticos ampliaram a fabricação do álcool em gel, já presente em suas linhas. O Boticário doou 1,7 tonelada de álcool em gel à rede pública hospitalar de Curitiba, onde fica a sede do grupo. Os funcionários do escritório trabalham em sistema de home office.

Depois de fechar as portas de suas recém-inauguradas lojas físicas, a Natura gradualmente deixará de fabricar linhas de maquiagem e perfumaria, para entregar os pedidos das consultoras e se comprometeu a não demitir funcionários nos próximos 60 dias.

Mas se você tivesse que adivinhar quem tem álcool sobrando no Brasil, em quem você apostaria? A Ambev, líder do setor de alimentos e bebidas, destinou uma linha de produção ao antisséptico, que está sendo elaborado a partir do álcool que sobra do processo de fermentação da Brahma 0,0%. O componente químico normalmente seria usado em outras bebidas do grupo, como a Skol Beats.

Cerca de 500 mil unidades de garrafas PET contendo o produto vão ser destinadas a todos os hospitais públicos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde se concentra a maior parte dos casos de covid-19 até o momento. A média deve alcançar 5 mil embalagens para cada unidade de saúde, entregue com logística também garantida pela empresa.

Líder do setor de motores industriais e transformadores, a catarinense WEG também anunciou que está produzindo álcool gel 70% em uma de suas unidades. Com um setor inteiramente dedicado à fabricação de tintas, a empresa utilizou a linha de produção pré-existente para desenvolver o produto, que foi liberado junto à Secretaria de Estado da Saúde e à Anvisa, com apoio da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). A companhia deve distribuir o higienizador em hospitais da região sul.

Apesar de ter ficado famoso nas campanhas de prevenção à doença, o álcool em gel não é sequer o produto mais eficaz no combate ao vírus. Lavar as mãos por cerca de 20 segundo, com água e sabão, ainda é a prática mais indicada por especialistas. Outra grande empresa especialista no ramo, a Ypê anunciou doações de sabão em barra para comunidades carentes, de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Na comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, foram disponibilizadas 21 toneladas de sabão em barra, o equivalente a mais de 100 mil unidades do produto. O cálculo foi feito para que cada família da região receba pelo menos um quilo de sabão, o suficiente para dois meses de consumo. No Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, chegaram cerca de 125 mil unidades do produto, aproximadamente 25 toneladas de sabão.

Álcool gel da Ambev

Antisséptico desenvolvido pela Ambev com o álcool que sobra da fermentação da Brahma 0%

Foto: Divulgação