Com déficit de R$ 25 bi, Governo Central tem pior mês desde dezembro de 2018


Anna Russi  Da CNN em Brasília
30 de março de 2020 às 11:34
 

O resultado primário, saldo entre as despesas e as receitas excluídas as despesas com juros, do Governo Central (Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência Social) registrou déficit de R$ 25,857 bilhões em fevereiro de 2020. É o pior desempenho mensal desde dezembro de 2018. No mesmo mês do ano anterior, o resultado foi negativo em R$ 18,231 bilhões, em termos nominais, que inclui as despesas com juros. 

Quando as contas públicas registram déficit, significa que as despesas do governo foram maiores que as receitas. Assim, a receita líquida de fevereiro apresentou queda de R$ 6,4 bilhões ou 7,2%, enquanto a despesa total do Governo Central subiu em R$ 499,8 milhões ou 0,5%, em relação a fevereiro de 2019. 

Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (30/3). O saldo veio acima que o déficit de R$ 17,061 bilhões esperado para o mês, de acordo com a pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Economia. A meta para 2020 é um déficit de R$ 124,1 bilhões.

No entanto, com a aprovação do Estado de Calamidade Pública por parte do Congresso, tal resultado não precisa ser cumprido e, com o aumento de gastos para o combate dos impactos do COVID-19 na economia, o rombo deve ficar acima disto. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, já falou que a estimativa até agora é de que o número fique próximo dos R$ 200 bilhões. 

As contas do Tesouro Nacional e do Banco Central impactaram o resultado primário com um déficit mensal e superávit acumulado no ano, de R$ 7,585 bilhões e R$ 52,1 bilhões, respectivamente. Já o déficit da Previdência ficou em R$ 18,271 bilhões, em fevereiro, e acumula R$ 33,7 bilhões, nos dois primeiros meses do ano. Os números são em termos reais, ou seja, resultados corrigidos pela Inflação. 

Nos dois primeiros meses do ano, o resultado primário acumula superávit de R$ 18,3 bilhões. Já no acumulado em 12 meses, o déficit do governo central é de R$ 90,8 bilhões, equivalente a 1,21% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.