Bolsonaro diz que vai sancionar benefício de R$ 600 para informais nesta terça

Projeto foi aprovado pelo Senado na noite de segunda e decreto que regulamenta a medida já está pronto, segundo presidente. Pagamento será feito pela Caixa

Do CNN Brasil Business*
31 de março de 2020 às 11:54 | Atualizado 31 de março de 2020 às 12:33

Bolsonaro diz que decreto que regulamenta 'coronavoucher' pode ser editado nesta terça

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta terça-feira (31) que vai sancionar o projeto de lei que institui o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais ainda nesta data.

Em entrevista coletiva na saída do Palácio da Alvorada, ele disse que planeja que as pessoas recebam o pagamento "o mais rápido possível".

A criação do benefício foi aprovada na noite desta segunda-feira pelo Senado Federal. Segundo Bolsonaro, o decreto que regulamenta a medida já está pronto e também poderá ser editado nesta terça.

A princípio, a proposta do governo era que os trabalhadores informais, intermitentes e microempreendedores recebessem R$ 200. Uma proposta da oposição elevava para R$ 500 esse valor e, sob pressão no Congresso, o governo acabou concordando com um valor ainda maior, de R$ 600. Para as famílias com filhos, o benefício somará R$ 1.200.

O pagamento da ajuda, que ficou conhecida como "coronavoucher", será feito pela Caixa.

"Está previsto R$ 600, eu não posso regulamentar aumentando. Está pronto o decreto, vou dar uma olhada já e meter a caneta. Quem vai pagar é a Caixa Econômica Federal."

Questionado por jornalistas sobre se o governo vai propor alguma outra medida para auxílio dos trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus no país, Bolsonaro afirmou que "essa não foi a única medida tomada". Citou, como exemplos, a liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), auxílio para pequenas e médias empresas e adiantamento do 13º salário para pensionistas e aposentados.

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Discurso da OMS

Antes mesmo de falar com jornalistas, Bolsonaro afirmou a apoiadores que o esperavam no Alvorada que o discurso do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, estaria em linha com o que tem defendido. Segundo ele, o dirigente teria defendido que trabalhadores têm que trabalhar, o que não é verdade.

"A OMS se associa a Jair Bolsonaro", afirmou.

Bolsonaro e seus filhos têm distribuído nas redes sociais um vídeo editado de dois minutos da fala de Tedros na segunda-feira, em que o diretor-geral da OMS menciona as preocupações com os impactos sociais do isolamento entre os mais pobres. Na fala completa, Tedros defende o isolamento e diz que ele dá tempo para que os países se preparem para o impacto da epidemia.

"Temos dois problemas, o vírus e o desemprego. Não podem ser dissociados, temos que atacar juntos. Quando eu comecei a falar isso, entraram até com um processo no tribunal penal internacional contra mim, me chamaram de genocida. Eu sou genocida defendendo você levar um prato de comida para casa", afirmou Bolsonaro.

Questionado sobre o posicionamento de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem defendido o isolamento das pessoas, Bolsonaro afirmou que "irá seguir a orientação da OMS", em referência ao discurso citado anteriormente.

"Não sei o que ele (Mandetta) falou. Vamos seguir orientação da OMS. Ele falou que as pessoas humildes ficam o dia na rua para levar prato de comida para casa", afirmou. O presidente sugeriu fazer um pronunciamento oficial nesta noite validando o discurso da OMS.

*Com Reuters e Estadão Conteúdo