Rombo nas contas públicas foi de R$ 20,9 bilhões em fevereiro

O valor é 40% superior ao resultado do mesmo mês de 2019

Anna Russi Da CNN, em Brasília
31 de março de 2020 às 09:44 | Atualizado 31 de março de 2020 às 09:49
Dinheiro, cartões de crédito e cheque (04.07.2013)
Foto: Marcos Santos/USP Imagens (04.07.2013)


As contas do setor público consolidado, que incluem o governo federal, estados, municípios e estatais, registraram um resultado primário negativo em R$ 20,901 bilhões em fevereiro. Ou seja, as despesas foram superiores as receitas, sem incluir os gastos com  juros da dívida pública.

O valor é 40% superior ao resultado do mesmo mês de 2019. Também foi o pior desempenho para meses de fevereiro desde 2017. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31/3) pelo Banco Central.

Na composição geral do resultado, o governo federal respondeu por um déficit primário de R$ 26,893 bilhões. Já as contas dos estados e municípios foram positivas em R$ 5,249 bilhões e as empresas estatais em R$ 743 milhões.

Nesta segunda (30), o Ministério da Economia informou que, com os gastos extras das medidas de combate ao COVID-19 já anunciadas, o resultado primário do setor público pode alcançar os R$ 400 bilhões. Em 2019, as contas do setor público consolidado tiveram o sexto ano consecutivo de déficit primário, negativo em R$ 61,87 bilhões, equivalente a 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Quando incluímos os valores gastos com juros, chamado de resultado nominal, as contas públicas tiveram déficit de R$ 49,355 bilhões. Por incluir as despesas com juros, o resultado nominal sofre impacto direto das atuações do Banco Central na política monetária e cambial, como contratos de swap cambial e redução da taxa básica de juros, Selic, que está na mínima histórica de 3,75% ao ano. Somente com juros os gastos públicos somaram R$ 28,454 bilhões em fevereiro.

Dívida bruta 

Já a dívida bruta do governo geral subiu para R$ 5,611 trilhões em fevereiro, alcançando os 76,5% do PIB. O indicador serve como referência para as agências de classificação de risco, que define a atratividade de investimentos dos países. No ano passado, a dívida encerrou em R$ 5,50 trilhões.