BC tem perda de R$ 31 bilhões com swap cambial em março

No acumulado do ano até 3 de abril, fluxo cambial total foi negativo em US$ 13 bilhões

Estadão Conteúdo
08 de abril de 2020 às 16:00

 

O BC sempre destaca que opera swaps e administra reservas internacionais não para lucrar, mas fornecer hegde ao mercado 
Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Após o prejuízo de R$ 7,606 bilhões com as operações de swap cambial em fevereiro, o Banco Central registrou perda de R$ 31,259 bilhões em março com esses leilões. A conta é pelo critério caixa. Pelo conceito de competência, houve prejuízo de R$ 30,814 bilhões.

O resultado pelo critério de competência inclui ganhos e perdas ocorridos no mês, independentemente da data de liquidação financeira. A liquidação financeira desse resultado (caixa) ocorre no dia seguinte, em D+1.

O BC obteve ainda um lucro de R$ 272,645 bilhões com a rentabilidade na administração das reservas internacionais no ano passado. Entram nesse cálculo ganhos e prejuízos com a correção cambial, a marcação a mercado e os juros.

Já o resultado líquido das reservas, que é a rentabilidade menos o custo de captação, ficou positivo em R$ 272,645 bilhões em março. O resultado das operações cambiais no período ficou positivo em R$ 257,148 bilhões.

No acumulado de 2020 até 3 de abril, o prejuízo com swaps somou R$ 50,932 bilhões pelo resultado caixa e R$ 53,654 bilhões pelo competência. Já a rentabilidade das reservas internacionais ficou positiva em R$ 500,257 bilhões, com resultado líquido positivo de R$ 465,773 bilhões e operações cambiais também positivas de R$ 412,119 bilhões.

O BC sempre destaca que, tanto em relação às operações de swap cambial quanto à administração das reservas internacionais, não visa ao lucro, mas fornecer hegde ao mercado em tempos de volatilidade e manter um colchão de liquidez para momentos de crise.

Posição cambial

A posição cambial líquida do BC atingiu US$ 312,299 bilhões no dia 3 de abril. No fim de dezembro de 2019, essa posição estava em US$ 327,801 bilhões e, em março deste ano, em US$ 314,548 bilhões.

A posição traduz o que está disponível para que o BC faça frente a alguma necessidade de moeda estrangeira -- como fornecer liquidez ao mercado em momentos de crise como a atual, por exemplo.

A posição leva em conta as reservas internacionais, o estoque de operações de linha do BC (venda de dólares com compromisso de recompra), a posição da instituição em swap cambial e os Direitos Especiais de Saque (DES) do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Venda à vista

O Banco Central informou que a venda à vista de dólares ao mercado financeiro no mês de março somou US$ 10,674 bilhões. Durante o período, o BC intensificou as atuações no mercado de câmbio para manter a disponibilidade de recursos, em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Quando promove um leilão, o BC liquida efetivamente a venda em D+2 - ou seja, dois dias após a operação. O total de US$ 10,674 bilhões de março leva em conta todas as operações liquidadas ao longo do mês.

Em janeiro e fevereiro, o BC não havia realizado operações do tipo. Durante todo o ano de 2019, foram vendidos US$ 36,861 bilhões em moeda à vista.

Leilões de linha

Para atender à demanda por moeda em março, o BC também vendeu um total de US$ 7,650 bilhões por meio de leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra no futuro).

Base monetária

O saldo da base monetária atingiu R$ 307,560 bilhões em março, pelo conceito de fim de período, informou o BC. Em fevereiro, a base monetária estava em R$ 303,197 bilhões. A base monetária é a soma do total de papel moeda emitido com as reservas bancárias registradas pelas instituições financeiras.

Saída de dólar supera entrada em US$ 13 bi até 3 de abril

O fluxo cambial total do ano até 3 de abril foi negativo em US$ 13,079 bilhões, informou nesta quarta-feira, 8, o Banco Central. No mesmo período de 2019, o resultado havia sido positivo em US$ 2,729 bilhões.

O resultado está diretamente ligado aos efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia. Em meio à crise, investidores aceleraram em março o envio de dólares a outros países, em movimento de busca por segurança.

No ano até 3 de abril, a saída líquida de dólares pelo canal financeiro foi de US$ 28,934 bilhões. Este resultado é fruto de aportes no valor de US$ 153,440 bilhões e de envios no total de US$ 182,374 bilhões. O segmento reúne investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo acumulado ficou positivo em US$ 15 855 bilhões, com importações de US$ 41,158 bilhões e exportações de US$ 57,013 bilhões.

Nas exportações estão incluídos US$ 10 319 bilhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), US$ 19 806 bilhões em Pagamento Antecipado (PA) e US$ 26,888 bilhões em outras entradas.