Dólar cai pelo quarto dia seguido e fecha abaixo de R$ 5,10

Na semana, a cotação cedeu 4,42%, maior queda desde janeiro de 2019

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
09 de abril de 2020 às 09:19 | Atualizado 09 de abril de 2020 às 19:17
Moeda americana recuou por quatro sessões seguidas pela primeira vez desde janeiro de 2019
Foto: Alexander Mils/Unsplash

O dólar fechou em queda pela quarta sessão consecutiva nesta quinta-feira (9), acumulando a maior baixa semanal em mais de um ano. A moeda dos EUA perdeu força globalmente com o apetite por risco crescendo após o banco central norte-americano anunciar nova medida de estímulo.

O dólar terminou o dia em baixa de 1,02%, a R$ 5,0906 na venda. Foi a primeira vez desde dezembro do ano passado que a divisa recua por quatro pregões seguidos.

Na semana, a cotação cedeu 4,42%, maior queda desde a semana finda em 4 de janeiro de 2019 (-4,61%).

"A queda da moeda americana é reflexo, principalmente, do anúncio do Fed de novas medidas para a injeção de liquidez no mercado", disse a Elite Investimentos em nota.

O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, apresentou nesta quinta-feira um esforço amplo de US$ 2,3 trilhões para ajudar os governos locais e pequenas e médias empresas.

O chairman da instituição, Jerome Powell, disse posteriormente que o banco continuará a usar todas as ferramentas à sua disposição até que a economia dos Estados Unidos comece a se recuperar totalmente dos danos causados ??pela pandemia de coronavírus.

O BC dos EUA já anunciou uma série de medidas para aumentar a liquidez nos mercados globais, tentando fazer frente à escalada do dólar que nas últimas semanas impôs duras perdas a várias moedas, sobretudo as emergentes.

Cenário interno

No Brasil, o Banco Central também anunciou medida para facilitar a concessão de crédito a pequenas e médias empresas, com potencial de liberar R$ 3,2 bilhões. O Conselho Monetário Nacional (CMN) também divulgou mudanças para facilitar a renegociação de dívidas para esse público.

Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos, acredita que a tendência nos BCs é o anúncio de medidas de liquidez em vez de mais cortes de juros. "Acho que o Brasil caminha na mesma direção", afirmou.

Parte da depreciação do real neste ano é atribuída à queda constante nas taxas de juros, que tornam menos atrativas aplicações na renda fixa brasileira, prejudicando o cenário para entrada de recursos para portfólio.

No acumulado do ano até 3 de abril, o fluxo cambial está negativo em US$ 13,079 bilhões, uma diferença significativa em relação ao saldo positivo de US$ 2,729 bilhões de um ano antes.

*Com Reuters