Brasil não vai participar de corte global de petróleo, diz ministro no G-20

Conforme antecipou o CNN Business, a Petrobras é contrária à adesão brasileira

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
10 de abril de 2020 às 12:50 | Atualizado 10 de abril de 2020 às 12:55

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, deixou claro que o Brasil não vai participar de um corte global de petróleo durante reunião virtual dos países do G-20 nesta sexta-feira (10). Conforme antecipou o CNN Business ontem, a Petrobras é contrária à adesão brasileira.

Em sua manifestação no encontro, Albuquerque afirmou que “por questões legais, o governo brasileiro não tem influência sobre o mercado de petróleo, sendo apenas responsável pelas políticas públicas do setor”.

Ele também ressaltou que a atividade de petróleo no país é conduzida por empresas nacionais e estrangeiras e pela Petrobras, enfatizando que é uma “empresa estatal de capital aberto”, ou seja, também tem acionistas privados.

O ministro afirmou ainda que a estatal brasileira já reduziu sua produção em 200 mil barris de petróleo por dia, o que representa 20% do total das exportações brasileiras. O Brasil é hoje o 10º maior produtor mundial.

Com essa posição, o Brasil se juntou ao México, que se recusou a participar do acordo global de redução de produção de petróleo. Com a pandemia do novo coronavírus, a demanda por combustíveis despencou.
Os Estados Unidos também estão relutantes e seus representantes vem defendo que é o mercado quem regula a produção no país.

A posição de México, Estados Unidos e Brasil, entre outros, pode colocar em risco o acordo de estabilização no mercado de petróleo. 

Nesta quinta-feira (9), russos e sauditas concordaram em reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) com um corte de 10 milhões de barris por dia.

Russos e sauditas, no entanto, vêm pressionando para que outros países façam um corte adicional de 5 milhões de barris por dia, principalmente os Estados Unidos, que ganharam espaço com a descoberta do óleo de xisto.

Com a queda de demanda provocada pelo coronavírus e com a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, os preços do petróleo saíram do patamar de US$ 60 por barril para cerca de US$ 30.

Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados (26.jun.2019)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil