Temor de recessão global faz dólar subir quase 2% nesta segunda-feira

Corte recorde na produção de petróleo definido pela Opep não conseguiu compensar preocupações mais amplas sobre a queda da demanda global da commodity

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
13 de abril de 2020 às 09:18 | Atualizado 13 de abril de 2020 às 17:55
Moeda americana caiu quase 4,5% na última semana
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar começou a semana em forte alta ante o real, puxado pelo movimento da moeda no exterior, numa segunda-feira (13) de maior cautela diante do risco de recessão econômica mundial, causada pelo novo coronavírus. Depois de uma semana de quedas sucessivas, a moeda norte-americana terminou em valorização de 1,86%, a R$ 5,1855, no maior ganho porcentual desde 27 de março.

O real esteve entre as moedas de pior desempenho na sessão, afetado por expectativas crescentes de que o juro no Brasil ficará ainda mais baixo para ajudar a economia a se recuperar depois de uma contração prevista do PIB de cerca de 2%, conforme projeções contidas no relatório Focus do Banco Central.  

Analistas do Goldman Sachs resumiram os temores de investidores: "ainda nos preocupamos que o custo econômico da recessão ditada pelo coronavírus pode superar em muito as expectativas do mercado",

O Goldman considera que, no atual contexto, as estratégias consistem na busca de ativos de maior qualidade em detrimento dos mais vulneráveis a ciclos econômicos e numa rotação de emergentes para mercados desenvolvidos. 

O Brasil é considerado grau especulativo pelas três principais agências de classificação de risco, com a Selic na mínima histórica e podendo cair mais. Esse combo reduz a capacidade do país de atrair investimentos que poderiam ajudar a baixar o dólar.

No cenário internacional, o corte recorde na produção de petróleo definido pela Opep e outros países produtores não conseguiu compensar preocupações mais amplas sobre a queda da demanda global pela commodity, devido à crise de saúde, o que minou o apetite por risco global.

"Ainda restam muitas dúvidas sobre se o acordo será suficiente para se evitar uma situação de aumento exacerbado dos estoques de petróleo no mundo em vista da queda de demanda global (...) como fruto da pandemia da COVID-19, que efetivamente paralisou o transporte aéreo e boa parte do terrestre no mundo", explicou em nota a XP Investimentos.

A alta se manteve apesar de o Banco Central (BC) ter anunciado oferta extraordinária de 10 mil contratos de swap cambial tradicional pela manhã, com colocação integral dos contratos (no equivalente a US$ 500 milhões).

*Com informações da Reuters