'Economia sai fortalecida se houver entendimento entre áreas', diz Joaquim Levy

Em entrevista à CNN, o economista se mostrou otimista quanto ao cenário econômico pós-pandemia

da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2020 às 20:54 | Atualizado 17 de abril de 2020 às 21:00

O economista e ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy acredita que a economia pode sair fortalecida depois da pandemia do novo coronavírus se houver entendimento entre as diversas áreas do governo. Em entrevista à CNN na noite desta sexta-feira (17), ele ressaltou a importância do papel do governo em fazer com que a economia volte a crescer.

"É um desafio global", descreveu, ao responder como equilibrar as contas no pós-pandemia. "Tudo vai depender do sucesso em fazer com que a economia volte a crescer, para que o aumento de despesas, indispensável neste momento, não prejudique. Para isso é preciso seguir com a aprovação de reformas".

Levy se mostrou otimista quanto à conciliação entre o Executivo e Legislativo para a promulgação de mudanças. "Há muito espaço para o alinhamento de ideias se tivermos clareza dos objetivos a alcançar", comentou.

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O primeiro presidente do BNDES durante o governo Bolsonaro comparou o momento atual ao ano de 2001, em que a falta de água fez com que uma redução no consumo de energia elétrica fosse necessário. "Claro que não é a mesma coisa que ter uma doença que não tem cura, como agora. Mas a economia sai fortalecida se houver entendimento entre as diversas áreas".

Ele contou que, à época, o governo teve de prestar apoio a empresas do setor de energia, mas que foi uma oportunidade para reformar o setor. "Incentivamos a geração de energia de biomassa à partir daí. Focados e unidos, conseguimos fazer muita coisa", disse.

O ex-ministro destacou que a participação do governo é essencial. "[Temos que] continuar dando apoio para que as firmas possam reagir e incentivo para que as pessoas voltem a comprar e consumir e, quando tiver condição, voltarem a sair, ir à restaurantes... isso também é parte importante", disse.

Levy manteve o mesmo otimismo ao lembrar de outras crises no mundo. "É inevitável que o governo tome riscos agora. Em 2008, nos EUA, a indústria saiu melhor do que estava antes. Vamos ver se conseguimos fazer um desenho inteligente e efetivo".