Para Jorge Paulo Lemann, crise traz oportunidade de bons negócios

Empresário, que faz poucas aparições públicas, falou durante evento online promovido pelo Fórum da Liberdade

Estadão Conteúdo
17 de abril de 2020 às 08:07
O empresário Jorge Paulo Lemann (18.jun.2015)
Foto: Reprodução/Facebook

O bilionário Jorge Paulo Lemann, um dos sócios do fundo 3G --controlador de gigantes como AB InBev, Kraft Heinz e Burger King-- disse que fez seus melhores negócios em momentos de crise. Conhecido pelas aquisições ousadas, Lemann afirmou que as empresas, é claro, precisam tomar medidas para sobreviverem nesse período, buscando melhorar o caixa e ampliar a eficiência, mas que são nessas ocasiões que surgem muitas oportunidades.

"Todas as crises por que eu passei foram duras e eu sofri, não sabia como chegaria ao fim, mas alguma oportunidade apareceu", comentou, em evento online promovido pelo Fórum da Liberdade.

De acordo com ele, foi assim, em 1971, com a compra de uma pequena corretora, a Garantia, que se tornou o Banco Garantia.

Outro exemplo foi a aquisição em 1981 das Lojas Americanas, ao lado de seus sócios no 3G Marcel Telles e Carlos Alberto Sucupira. "Nessa época ninguém queria comprar ativos", comentou.

Foi o mesmo com aquisição da cervejaria Brahma, que marcou o início do império das bebidas do trio. Lemann citou, ainda, que foi em meio à crise financeira de 2008 que veio a compra da Anheuser-Busch.

"Acho que a oportunidade não é apenas comprar barato, é que certas coisas que não estavam disponíveis passam a ficar, passamos a olhar os negócios em formatos diferentes e a operar de formas diferentes", comentou.

Com os negócios digitais ganhando destaque durante pandemia, Lemann voltou a admitir que a 3G está atrasada nesse sentido, muito por conta do tipo de negócio investido, mas que as empresas no portfólio estão se atualizando, como Lojas Americanas e B2W.

No setor de cervejas, disse, já há teste de entrega mais rápida, com países com plataformas para contato direto com os clientes. "Começa a gerar informação e ficamos em condições de servir melhor o cliente. Estamos correndo atrás em todas as nossas empresas. Acho que começamos atrasados mas vamos chegar lá", afirmou.

Para Lemann, um dos problemas que mais afetam o Brasil nos últimos anos é a polarização. "Nada é muito resolvido, nada anda. Esperaria que essa crise gerasse mais bom senso, mais pragmatismo para resolver nossos problemas."