Com hotéis vazios, setor de turismo estima prejuízo de R$ 14 bilhões

Em São Paulo, um hotel de luxo com 297 quartos tinha somente três ocupados nesta sexta-feira (17) por conta da crise do novo coronavírus

Felipe Boldrini Da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2020 às 16:06 | Atualizado 17 de abril de 2020 às 16:06
 

Antes da pandemia do novo coronavírus, encontrar um dos principais hotéis de luxo de São Paulo praticamente vazio seria muito improvável. Saguão de entrada sem ninguém. Bar e restaurante fechados. Recepção, só com dois funcionários trabalhando por turno. O shopping, que faz parte do complexo, com as lojas todas fechadas. Dos 297 quartos, só três ocupados. 

“Nós mudamos radicalmente. As rotinas tiveram que ser alteradas e nós tivemos que mexer no nosso quadro de funcionários. Adotamos uma redução no quadro, na jornada de trabalho e também estamos com alguns colaboradores afastados temporariamente por 60 dias. O mercado todo teve que agir dessa forma”, disse o gerente geral do Sheraton São Paulo WTC Hotel, Fernando Guinato. 

Rotina em hotel de luxo de SP é alterada por pandemia (17.abr.2020)
Foto: Felipe Boldrini/CNN

Segundo ele, mesmo depois com o fim do isolamento social, o setor ainda deve levar algum tempo pra se recuperar. “Nos temos um exemplo lá fora. A China está voltando à normalidade, só que o nível de ocupação de hotéis da China, nas cidades maiores, ainda está só em 25%.  Então, desde de o decreto do fim da pandemia, até que a situação se normalize, realmente vai demorar um tempo. Hoje não dá para prever". 

A realidade em São Paulo é a de quase todos os hotéis do Brasil. Desde o decreto da quarentena, o setor de turismo, que emprega 7 milhões de pessoas, foi um dos que mais sentiu as consequências. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a estimativa é que o setor tenha perdido cerca de 14 bilhões de reais e já reduziu 300 mil postos de trabalho formais, apenas no mês de março.

Dados da FBHA (Federação Brasileiura de Hospedagem e Alimentação) apontam a falência de 10% dos hotéis, ou seja, 3 mil estabelecimentos, isso também leva em consideração as pousadas. Em São Paulo, segundo a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo, metade dos hotéis do estado não estão funcionando. E os que estão abertos têm no máximo 5% dos quartos ocupados e na maior parte das vezes, os hóspedes são médicos.

Com o distanciamento social, quem tinha viagem planejada teve que adiar os planos. Os reflexos disso foram grandes para as agências de viagem que já registram, de acordo com a Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagens), uma taxa de cancelamento de pacotes que chegou a mais de 90% em março. 

As companhias aéreas também sentiram a crise. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) estima que 50% dos vôos domésticos tiveram redução. Já a queda nas viagens internacionais, foi maior ainda, uma retração de mais de 85%. Esses dados, compara março desse ano com o mesmo período do ano passado. 

A preocupação de quem trabalha e vive desse setor é tão grande, que 91%  das agências e operados de turismo esperam terminar o mês de abril sem vendas. Os cancelamentos de viagens previstas para o segundo semestre já chegam a 26,9% e as programadas para 2021, a 3,8%. O impacto já é de 3,9 bilhões reais, com cancelamentos e adiamentos de viagens, segundo levantamento da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo.