Governo vai adotar medidas adicionais para 'arranque' da economia

Pacote vem sendo chamado informalmente entre membros do empresariado e do governo de uma espécie de “Plano Marshall” para o Brasil

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
18 de abril de 2020 às 17:10
O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto e o presidente Jair Bolsonaro (18.fev.2020)
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal avisou a um grupo de grandes empresários em São Paulo que vai soltar um pacote adicional de medidas para dar um “arranque” na economia.

O objetivo é “religar” a atividade econômica à medida que as empresas e o comércio voltem ao trabalho com a flexibilização das medidas de isolamento social. Ainda não há detalhes de que medidas seriam essas.

O pacote vem sendo chamado informalmente entre membros do empresariado e do governo de uma espécie de “Plano Marshall” para o Brasil. O Plano Marshall foi o programa de reconstrução dos países mais afetados pela Segunda Guerra Mundial.

O ministro da Casa Civil, general Walter Souza Braga Neto, deve falar sobre o assunto na próxima quinta-feira (23) durante uma videoconferência com um grupo de 40 a 50 presidentes de grandes empresas.

O governo está preocupado com o tamanho do impacto da pandemia do novo coronavírus. A previsão oficial ainda é de crescimento de 0,02%, mas o Banco Mundial já fala em uma queda de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O presidente Jair Bolsonaro vem provocando polêmica ao minimizar os efeitos da pandemia e criticar os governadores, insistindo que é preciso relaxar o isolamento social e se preocupar também com a economia. A insatisfação motivou a troca do ministro da Saúde.

Na sexta-feira (17), o Ministério da Economia fez um balanço das medidas já adotadas pelo governo para combater o novo coronavírus, que chegam a R$ 1,169 trilhão.

Boa parte dessas medidas, no entanto, são atraso no pagamento de impostos e suspensão de dívidas. Apenas R$ 307,9 bilhões terão impacto fiscal direto e representam “dinheiro novo”.

O Banco Central também injetou liquidez estimada em R$ 1,2 trilhão, mas a aversão ao risco dos bancos dificulta a chegada do crédito para as empresas. Ainda estão em estudo empréstimos do BNDES e dos bancos privados para os setores mais afetados.