Empresários: Bolsonaro não é risco à democracia mas pode atrapalhar investimento

A avaliação de boa parte do setor privado é que o discurso de Bolsonaro foi “descuidado”, “inadequado” e mostrou “despreparo”

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
20 de abril de 2020 às 19:49 | Atualizado 20 de abril de 2020 às 20:26

Empresários e banqueiros ouvidos pelo CNN Business não acreditam que o presidente Jair Bolsonaro represente um risco à democracia, mas ficaram incomodados com as suas declarações no último domingo (19) diante de uma manifestação em Brasília com cartazes que defendiam a volta da ditadura.

A avaliação de boa parte do setor privado é que o discurso de Bolsonaro foi “descuidado”, “inadequado” e mostrou “despreparo”. A preocupação desses empresários é adicionar uma crise institucional num cenário que já é de crise de saúde e de crise econômica.

Um grupo de empresários mais ligado ao presidente, no entanto, ainda se mantém fiel e avalia que a repercussão de seu discurso foi exagerada. Eles acreditam que o presidente acerta ao se voltar contra a “velha política”.

O setor privado está muito preocupado com a retomada da economia por causa da recessão. Boa parte defende uma abertura controlada das atividades, mas evita se posicionar abertamente sobre o assunto se alinhando diretamente ao discurso de Bolsonaro.

Neste fim de semana, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou um protocolo de retomada feito em conjunto com um fórum de CEOs de grandes empresas chamado Diálogo pelo Brasil.

Na videoconferência para tratar do assunto, causou polêmica se os empresários deveriam ou não se manifestar a favor da reabertura da economia. Mas preferiram evitar entrar na disputa política e prevaleceu a visão de que deveriam deixar a decisão para as autoridades públicas.

A previsão média dos economistas ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, é de queda de quase 3% do PIB. Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional já preveem redução de 5%.