Braga Netto diz a empresários que agenda liberal não será abandonada

Ministro chefe da Casa Civil também minimizou a possibilidade do plano Pró-Brasil estourar o teto de gastos, mas preferiu não entrar em detalhes sobre o tema

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
23 de abril de 2020 às 17:57
O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, descartou que o teto de gastos será prejudicado pelo Pró-Brasil (18.fev.2020)
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, disse a empresários que o governo vai investir pesado na retomada da economia, mas garantiu que agenda liberal não será abandonada. Também minimizou a possibilidade do plano Pró-Brasil – anunciado ontem pelo governo federal – estourar o teto de gastos. Ele, no entanto, não entrou em detalhes sobre como isso será possível.

Braga Netto participou nesta quinta-feira (23) de um videoconferência com cerca de 50 presidentes empresas organizada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

O objetivo da reunião era debater o Plano Pró-Brasil, que foi anunciado pelo governo como uma estratégia para estimular o crescimento da economia a partir de outubro, quando possivelmente a pandemia do novo coronavírus estará na sua fase final.

O ministro disse que ainda não tinha um plano pronto e não poderia detalhar os valores, mas que estava aberto a ouvir sugestões. Explicou ainda que seu objetivo era organizar as diversas iniciativas dos ministérios e que o governo gostaria de investir pesado na economia.

Os empresários questionaram se o Plano Pró-Brasil significava uma guinada na política liberal e ressaltaram que o Estado deveria ser apenas um “indutor” do crescimento, recuando depois que a crise passasse. Ressaltam ainda que não deveria representar uma reestatização da economia.

Também presente ao encontro o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, garantiu que as privatizações eram um pilar do governo e que a agenda liberal não seria abandonada.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou hoje em evento público que é necessário elevar o investimento na saída da pandemia, mas que o governo não tem força para liderar esse movimento. Ele negou conflito político e disse que todo o governo tem consciência disso.

Na videoconferência com Braga Netto, os empresários reclamaram muito dos entraves burocráticos, da falta de segurança jurídica e dos conflitos entre Executivo e Legislativo. Skaf disse que o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, devem participar de um próximo encontro com os empresários para debater o assunto.