Para economista, ajuda a estados não deve financiar despesas de pessoal

Economista fala sobre a situação das despesas públicas

Da CNN, em São Paulo
22 de abril de 2020 às 22:20 | Atualizado 22 de abril de 2020 às 22:55

 

O governo federal deseja congelar o salário de funcionários públicos por dois anos, como contrapartida à ajuda para estados e municípios, por conta da crise do novo coronavírus. Em entrevista para a CNN, a economista e consultora Ana Carla Abrão disse que a proposta é correta para socorrer e garantir que os estados tenham recursos para ultrapassar este momento, mas que deve ser temporária e durar apenas o período da quarentena. Além disso, a ajuda não pode financiar o aumento de despesas de pessoal.

Na avaliação da especialista, para que isso não aconteça, é preciso “proibir o aumento salarial, promoções e progressões automáticas e novos concursos, a não ser que sejam para atender a crise enquanto a situação não estiver sob controle”.

Para Ana Carla, esta é uma crise que vai exigir um bom tempo para recuperar a normalidade. “O grau de empobrecimento que nós podemos vir a ter exige que os mecanismos que hoje blindam o serviço público de perdas sejam relaxados. Afinal, eles já não faziam sentido lá atrás”, afirmou.

“O mercado de trabalho privado sofre com a recessão e desemprego, e o mercado de trabalho do setor público fica completamente protegido. Essa simetria não pode mais acontecer, nem em situações de normalidade ela se justifica”, disse.