Coronavírus: Índice de confiança do comércio despenca em abril

Dados da Fundação Getulio Vargas mostra que houve uma pane na segurança dos empresários sobre o futuro da economia brasileira

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
28 de abril de 2020 às 18:14
Loja fechada em São Paulo: entre os setores mais afetados estão o de vestuário e automóveis
Foto: Amanda Perobelli - 20.mar.2020/ Reuters

Os dados sobre a confiança de consumidores e empresários têm registrado queda históricas desde que a crise provocada pelo novo coronavírus se instalou no Brasil. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou esta semana os indicadores de abril dos principais setores da economia e todos, sem exceção, revelaram uma pane na segurança dos empresários sobre o que pode acontecer com a economia brasileira depois da pandemia. 

A coluna teve acesso a dados exclusivos sobre a confiança dos empresários do comércio, compilados pela FGV. Os setores mais afetados, como já era esperado, são os de vestuário e calçados, material para construção e automóveis, com quedas que chegam a quase 60 pontos.

A imagem do gráfico abaixo já fala muito. O movimento de descida dos indicadores de cada setor é dramático. Material de construção apresentou queda de 52 pontos. O setor de veículos e peças teve baixa de 48 pontos, o de móveis e eletrodomésticos perdeu 46 pontos. O índice vai de zero a duzentos, sendo que, quanto mais perto de zero, mais pessimistas estão os empresários. São resultados preocupantes, que corroboram clima de incerteza aguda com o período pós-pandemia. 

“A tendência é ficar desesperado no curto prazo. Infelizmente ainda não dá para dizer que é o fundo do poço. Mesmo que haja alguma flexibilização da quarentena, o consumo nao virá tão rápido porque nao é como um botão de liga e desliga. As pessoas terão cautela, a taxa de desemprego vai subir miuto”, disse Rodolpho Tobler, economista responsável pelos índices de confiança da FGV. 

Apenas o setor de hiper e supermercados conseguiram manter o mesmo patamar, na casa dos 90 pontos, passados dois meses do início da crise. Os dados também mostram que economia sinalizava melhora no início do ano, processo absolutamente abortado pelo novo coronavírus. 

“A percepção sobre a situação atual está bem pior em abril. As expectativas para os próximos meses vêm acumulando quedas desde março, de forma mais disseminada, incluindo hiper e supermercados. A leitura chega a ser um pouco irracional, com preocupação de todos os segmentos”, avalia Tobler.  

O medo com o que pode acontecer no futuro provoca estragos diversos. O empresário pode suspender novas contratações num primeiro momento. Porém, dependendo da velocidade e da intensidade da piora da atividade, o medo da falência cresce e as demissões são inevitáveis, na leitura do economista da FGV. 

“Não tem jeito, pega tudo: demissão, investimento, medo de falência, atrapalhando muito as decisões. Quanto tempo vai durar a pandemia? “, pondera o economista. 

É a falta desta resposta que agrava a percepção dos empresários e aumenta a incerteza com futuro. Na sequência dos dados sobre a confiança do comércio, a FGV divulgou nesta terça-feira o indicador do setor de serviços (ICS). Outra queda vertiginosa, a mais intensa desde o início da série histórica em junho de 2008. O ICS recuou recuou 31,7 pontos em abril, para 51,1 pontos com impacto em todos os 13 segmentos do setor.