Déficit primário de abril deverá ser maior do que o de 2019, diz Mansueto

Secretário do Tesouro afirmou que medidas contra COVID-19 ainda devem impactar contas públicas em abril, maio e junho

Anna Russi Da CNN, em Brasília
29 de abril de 2020 às 12:39
O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida
Foto: Marcelo Camargo - 27.fev.2020/Agência Brasil

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou, nesta quarta-feira (29), que o rombo nas contas públicas do governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência Social, no mês de abril poderá ser maior do que o resultado anual de 2019, que somou R$ 95,1 bilhões. 

"Apenas para o mês de abril, o déficit primário deverá ser maior do que o de todo o ano de 2019", disse em coletiva de imprensa virtual para comentar os R$ 21 bilhões de déficit primário de março, divulgado nesta terça pelo Ministério da Economia.

Os dados oficiais de março ainda não trouxeram os reflexos da crise econômica causada pela pandemia da COVID-19, no entanto, de acordo com Mansueto, o impacto nas contas públicas será expressivo nos meses de abril, maio e junho. "Em julho começa a recuperar isso", observou. 

Por causa das despesas extras com as medidas emergenciais de combate à pandemia e o Estado de Calamidade Pública, o governo federal não será mais obrigado a cumprir a meta fiscal de déficit máximo de R$ 124 bilhões.

Com o aumento dos gastos públicos e a queda na arrecadação federal, a equipe econômica já prevê que em 2020, o rombo nas contas do setor público consolidado, que inclui estados, municípios e estatais, será de R$ 600 bilhões, ou cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB). 

"Não se pode falar que o governo não está reagindo à crise econômica do coronavírus porque o déficit, esse valor, vai ser expressivo", disse o secretário. Caso a previsão se confirme, o déficit do setor públicos em 2020 será o pior da série histórica do Banco Central, iniciada em 2001. No ano passado, as contas do setor público consolidado registraram um déficit primário de R$ 61,872 bilhões em 2019, equivalente a 0,85% do PIB.

Mansueto defendeu ainda o Orçamento de Guerra. "A PEC nos dá tranquilidade para separar as depesas fixas das temporárias", disse.