Dólar cai quase 3% e fecha a R$ 5,355, em dia de otimismo no exterior

Foram três dias de recuo desde que a moeda atingiu seu valor recorde, de R$ 5,66, na última sexta-feira

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
29 de abril de 2020 às 09:15 | Atualizado 29 de abril de 2020 às 17:18
Moeda americana teve maior queda em quase dois anos na última sessão (27.mar.2020)
Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

O dólar caiu 2,94% e fechou cotado a R$ 5,355 na venda nesta quarta-feira (29). Foi a terceira queda consecutiva da moeda, depois ter batido R$ 5,668 na sexta-feira (24), valor mais alto de sua história em termos nominais. Na sessão de ontem, o dólar já havia caído 2,59% (para R$ 5,517), o que havia sido seu maior declínio diário desde junho de 2018.

Em dois pregões, a moeda acumula desvalorização de 5,45%, a mais forte desde o tombo de 6,64% dos dias 5 e 6 de janeiro de 2009, quando o mundo ainda tentava debelar a até então maior crise financeira desde a Grande Depressão da década de 1930.

O clima positivo nos mercados globais nesta quarta-feira ajudou ativos arriscados --como bolsas de valores e divisas emergentes. O otimismo foi guiado em boa parte por uma forte recuperação nos preços internacionais do petróleo, que estão em seus menores valores em anos e vinham de dois dias de quedas.

Investidores também estiveram atentos a anúncios importantes no mercado norte-americano. O Federal Reseve (Fed), banco central do país, manteve os juros próximos de zero e afirmou que será agressivo em combater os efeitos da crise. O PIB do país, anunciado hoje, caiu 4,8% no primeiro trimestre. Segundo analistas, apesar de ser a pior desde a Grande Recessão, a contração já era precificada e veio próxima à expectativa.

No Brasil, analistas veem o campo político como menos pressionado nos últimos dias, depois de gerar forte aversão a risco no mercado de câmbio recentemente.

"Após o 'tsunami' que assolou os mercados locais nos últimos dias, fica a sensação que os agentes públicos retornaram às atenções ao combate da Covid-19 e suas consequência nefastas à economia", disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

"Ao declarar confiança na liderança de Paulo Guedes à frente da economia, o Presidente Jair Bolsonaro afastou, por hora, as desconfianças do mercado."

Guedes disse nesta quarta-feira que está absolutamente igual e que segue com a mesma energia e determinação, com apoio do presidente Jair Bolsonaro. Na segunda, Bolsonaro havia afirmado que o ministro continua com as rédeas da economia brasileira.

*Com Reuters