Petróleo deve cair ainda mais, mesmo com alívio em isolamento, aponta estudo

Levantamento da Reuters mostra que preço médio do petróleo Brent deve ser de US$ 35,84 por barril em 2020. Hoje, barri custa em média US$ 45

Reuters
30 de abril de 2020 às 11:48

Cortes de oferta pelos principais produtores devem fazer pouco para resolver o excesso de oferta global de petróleo, indica estudo

Foto: Reprodução/ Agência Brasil

Os preços do petróleo devem cair ainda mais neste ano, mesmo com países aliviando restrições relacionadas à crise do coronavírus, enquanto cortes de oferta pelos principais produtores devem fazer pouco para resolver o excesso de oferta global, mostrou uma pesquisa da Reuters nesta quinta-feira (30).

A pesquisa com 45 analistas projetou que o preço médio do petróleo Brent deve ser de US$ 35,84 por barril em 2020, ou 7,5% abaixo do consenso de US$ 38,76 em pesquisa de maio. Até o momento no ano, a média é de US$ 45.

Já os preços do petróleo nos EUA, o WTI, que caíram abaixo de zero pela primeira vez na história neste mês, com operadores desesperados para vender o contrato maio antes de seu vencimento, deve ficar em média a US$ 31,47 por barril em 2020, abaixo dos US$ 35,29 da pesquisa de março.

Tanto o Brent quanto o WTI despencaram para níveis abaixo de US$ 20 neste ano. O Brent, referência global, era negociado a cerca de US$ 25  nesta quinta-feira, mais de 60% abaixo do patamar visto ao final de 2019, à medida que quarentenas contra o coronavírus reduzem a demanda por combustíveis.

Mas analistas estão divididos quanto à possibilidade de os preços caírem novamente para território negativo, quando quem possui petróleo precisa pagar para que alguém fique com o produto. Compradores estão escassos em parte devido à falta de locais para armazenamento-- áreas de estoques, como Cushing, em Oklahoma, têm pouco espaço para mais barris.

"Eu não poderia desconsiderar isso, dado que os estoques em Cushing provavelmente estarão maiores em um mês e encontrar espaço para armazenar mais barris pode ser mais desafiador do que agora", disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.

"Por outro lado, nós já vimos uma queda no interesse em aberto para o contrato junho, à medida que fundos negociados em bolsa e índices de commodities rolam posições e outros investidores buscam evitar ficar com contratos, uma vez que os preços podem desabar perto do vencimento."

"A lenta reabertura das maiores economias, riscos de reinfecções e um possível retorno pior da Covid-19 no inverno não ajudarão a demanda por petróleo", disse o analista da OANDA, Edward Moya.