“Quando um não quer, dois não brigam”, diz Rogerio Marinho

Paulo Guedes, da Economia, e Rogerio Marinho, do Desenvolvimento Regional, são os personagens do conflito dos últimos dias do governo Bolsonaro

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
30 de abril de 2020 às 12:36 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 13:01
O ministro da Economia, Paulo Guedes (12.fev.2020)
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Não é a primeira crise entre ministros do governo de Jair Bolsonaro, certamente não será a última. Paulo Guedes, da Economia, e Rogerio Marinho, do Desenvolvimento Regional, são os personagens do conflito dos últimos dias. Depois de estarem juntos no front pela reforma da previdência, surgiu uma muralha entre eles pela resposta do governo à crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus.
 
Paulo Guedes, o super ministro de Bolsonaro, começou a semana recebendo respaldo do chefe na porta do Alvorada. “Quem manda na economia é o Guedes”, disse o presidente.  O segundo movimento foi bem mais agressivo, partiu do próprio Paulo Guedes. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30), o ministro chamou de “batedor de carteira” quem quer se aproveitar da crise para aumentar os gastos públicos sem limites, com investimentos em infraestrutura. Ele não falou nomes, mas todo mundo sabe que ele se referia a Rogerio Marinho.
 
A coluna conversou com pessoas muito próximas ao ministro do Desenvolvimento Regional para saber a reação de Marinho às declarações de Guedes.
 
“Quando um não quer, dois não brigam”, disse o ministro do Desenvolvimento Regional aos seus assessores. “Enquanto ele não me citar pessoalmente, não tenho o que responder”, emendou Marinho na conversa que foi relatada à CNN Brasil.
 
A culpa de tudo é de uma versão tropical contemporânea do Plano Marshall,  que ganhou o nome de Pro Brasil, como antecipado pela analista da CNN, Raquel Landim. A proposta surgiu do Desenvolvimento Regional, de Marinho. Mas foi rapidamente acolhida por Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, e pelo general Braga Netto, da Casa Civil. Com apresentação no Palácio do Planalto e tudo (sem a presença de ninguém da equipe de Guedes), o Pro Brasil cutucou onça com a vara curta, sugerindo que o país deveria abrir mão de sua âncora fiscal, o teto de gastos, para permitir uma recuperação mais forte da atividade econômica depois que a pandemia acabar.
 
O dólar explodiu para perto de R$ 6,00, a bolsa de valores quase acionou de novo o “circuit braker” com a percepção de que Paulo Guedes, o posto Ipiranga, estava sendo trocado pelo “posto petrobras”, numa alusão ao estatismo dos investimentos no país. (O autor do trocadilho do posto petrobras é o analista de política da CNN Brasil, Fernando Molica). Como aconteceu em outras situações, não tão graves como a atual, o presidente Bolsonaro alimentou o ruído ao permitir que Braga Netto promovesse a discórdia para depois do susto com os mercados recuar.
 
Segundo as fontes ouvidas pela coluna, Rogerio Marinho teria dito ainda que estava “feliz” em ver que Paulo Guedes havia reconhecido o papel da Casa Civil na coordenação dos ministérios. “Pelo menos isso”.