Focus: mercado passa estimar retração de 4,11% para o PIB em 2020

Além do corte na projeção do PIB, mercado financeiro também revisou IPCA e a Selic. Agora, a previsão é de inflação a 1,76% e Selic a 2,25% a.a

Anna Russi, da CNN, em Brasília
11 de maio de 2020 às 08:55 | Atualizado 11 de maio de 2020 às 09:28
Sede do Banco Central, em Brasília (16.mai.2017)
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Os economistas do mercado financeiro cortaram, pela 13ª semana consecutiva, as projeções para o desempenho  da economia em 2020. Como reflexo dos impactos da pandemia da Covid -19 na atividade econômica, a expectativa para a contração do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,76% para 4,11%. As projeções foram divulgadas nesta segunda-feira (11) no boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central (BC). 

A previsão do mercado brasileiro ainda está abaixo de projeções do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que preveem quedas de 5% e 5,3%, respectivamente. Além disso, instituições financeiras como o JP Morgan já trabalham com possibilidade de recessão de até 7% para a economia brasileira. A maior contração já registrada na história do PIB brasileiro foi de 4,35%, em 1990, no governo Fernando Collor. 

Nesta semana, o ministério da economia deve atualizar sua projeção oficial para o PIB de 2020. A equipe da pasta já trabalha com o cenário da maior recessão do país, acima dos 4,3%.

Inflação e Selic

O ambiente  de incertezas mundiais, aumento de gastos públicos e crise política no Brasil também trouxe piora para as expectativas da inflação e da taxa Selic. 

As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passaram de 1,97% para 1,76%. O número é bem abaixo do piso da meta deste ano, com centro em 4% e tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou  para baixo - de 2,5% a 5,5%. 

Após ter sido reduzida para nova mínima histórica de 3% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), as expectativas do mecado é a de que a taxa básica de juros encerre 2020 num patamar de 2,5% ao ano. Na semana passada, o Copom já indicou novo corte da Selic, para até 2,25% a.a. 

A Selic é o principal instrumento da política monetária do Banco Central para o controle da inflação e para o estímulo da atividade econômica.