Apps financeiros x privacidade: 5 dicas para organizar as contas com segurança

Ler atentamente os termos de uso e privilegiar empresas com boa reputação são alguns conselhos para não correr o risco de um uso indevido dos dados financeiros

Luís Lima, do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 06:43 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 14:29
A LGPD disciplina como empresas e entes públicos podem coletar e tratar informações de pessoas, estabelecendo direitos, exigências e procedimentos nesses tipos de atividades
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Aplicativos financeiros podem ser ótimos aliados no controle do orçamento, principalmente em tempos de crise. Parte dos usuários, no entanto, teme a forma com que algumas empresas administram seus dados bancários, que são compartilhados para a realização do melhor diagnóstico das contas.

A resistência dos consumidores é maior em tempos de isolamento social, já que aumenta também o número de fraudes na internet. Em março, houve um avanço de 124% nos golpes cibernéticos no Brasil, estima a consultoria de segurança digital Kaspersky.

Outro agravante é a falta da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que aconteceria em agosto deste ano, mas foi adiada para maio de 2021, segundo medida provisória editada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Especialistas em privacidade e segurança, ouvidos pelo CNN Brasil Business, dizem que se a dona do aplicativo financeiro for consolidada e tiver boa reputação, o risco é mínimo. Alguns exemplos são Guiabolso, Mobills e Organizze, que divulgam expressamente quais informações dos usuários são compartilhadas, como são armazenadas, e que tipo de uso é feito. 

Para não ter surpresas indesejadas, listamos algumas recomentações para proteger a segurança e a privacidade de suas informações financeiras. 

1. Prefira empresas consolidadas 

O primeiro passo é verificar a reputação da empresa, sua história e quem são seus controladores, para além da nota nas lojas de aplicativos. O perfil da companhia diz bastante sobre o valor dado à privacidade e segurança, como ela aplica na prática essas premissas, e se há sobreposição de interesses entre o serviço oferecido e potenciais produtos vendidos.

“Observe, no site da empresa, se há o nome comercial completo, os dados de contato, e, sobretudo, CNPJ”, recomenda Ciro Torres Freitas, sócio da área de tecnologia do escritório de advocacia Pinheiro Neto.

Na prática, no entanto, é importante lembrar que ninguém está imune a riscos. Na internet, a classificação das empresas está muito mais relacionada à usabilidade do que a fatores como privacidade e segurança. E mesmo as grandes e renomadas companhias podem ser alvos de fraudes, atestam os especialistas. 

2. Leia os termos de uso 

Antes de consentir, é altamente recomendável ler com atenção aquele grande bloco de texto que aparece logo depois de baixar o app. É lá que constam informações-chave como a forma com que seus dados serão administrados — se na nuvem ou num servidor externo, por exemplo; em que medida ele pode ser compartilhado — anonimamente, com terceiros; e em que momentos eles serão excluídos. 

“É interessante olhar esses documentos para ver quais os tipos de permissões de acesso, inclusive de outros dados, damos a esses aplicativos. (…) Como ainda não temos vigente a LGPD, alguns aplicativos não aplicam políticas de privacidade”, diz Bruna Santos, analista da Coding Rights.

Via de regra, dizem os analistas, essas empresas usam informações para o levantamento de tendências de consumo, no intuito de informar. Mas também podem usar essas informações de forma comercial, e até terceiriza-las. Para saber se você consente com isso, basta ler os termos de uso. Quanto mais claras e concisas as informações sobre privacidade e segurança, melhor.

3. Recuse o uso desproporcional 

Se um aplicativo financeira prevê o acesso ao seu tipo sangüíneo, em um exemplo hipotético, desconfie. A “proporcionalidade”, ou seja, a coerência entre o business da companhia e o tipo de informação que pretende ter é essencial para que excessos não sejam cometidos.

“Os dados devem ser fornecidos na proporção realizada pela empresa. Isso é fundamental. Estranhe um pedido de dados exacerbado, fora do razoável”, diz Eduardo Ribeiro Augusto, sócio da área de propriedade intelectual do SiqueiraCastro Advogados.

Em alguns casos, é comum aplicativos de bancos pedirem acesso a fotos para ler ordens de pagamento. “Já no caso de outra ferramenta, que me ensine a investir na Bolsa, por exemplo, ela precisa de fato, de fotos da minha biblioteca?”, questiona Santos.

4. Reforce a segurança 

Valorize aplicativos que tenham dados criptografadodos, ou seja codificados para que não possam ser lidos, e façam autenticação em dois fatores.

Parece básico, mas ter uma senha complexa, sem sequência de números ou data de nascimento, por exemplo, e modificá-la periodicamente, faz diferença no rigor da proteção. Outra opção, para celulares que não usam o sistema operacional da Apple, é a instalação de um antivírus.

Do outro lado, as empresas também têm de fazer sua parte. "Em geral, isso inclui anonimização, quando a empresa desvincula os dados da pessoa (...), o uso de servidores seguros, a descrição de protocolos de acesso, além do treinamento de seus funcionários", exemplifica Freitas. 

5. Evite o uso em Wi-fi público 

Usar aplicativos financeiras em redes de internet públicas facilita a ação de golpistas virtuais. Se não estiver em casa, navegue a partir dos dados móveis ou use uma VPN (Rede Privada Virtual) para criptografar sua conexão.

Segundo a Kaspersky, sinais Wi-Fi públicos podem colocar em risco a seguranças das informações pessoais, identidade digital e dinheiro. “Além disso, se o dispositivo ou computador não contar com uma segurança eficiente e um produto antimalware, os riscos podem ser ainda maiores”, avalia a consultoria.